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Gersy Pegado: “A música infantil feita por nós, nos anos 80 e 90, continua a ser a nossa matriz”

Sebastião Félix por Sebastião Félix
13 de Fevereiro, 2026
Em Entrevista

Em entrevista ao jornal OPAÍS, a cantora Gersy Pegado, integrante das Gingas do Maculusso, disse que começou a dar os primeiros passos na música infantil por influência da sua mãe, a professora Rosa Pegado, mas foi na Escola Piô da Rádio Nacional de Angola (RNA), nos idos anos 80, onde se notabilizou com a música “Mangonha”. Entre outros assuntos, Gersy Pegado falou dos momentos que viveu com artistas do seu tempo, como Mamborró, Clélia Sambo, Nila Borja e outros. Referiu também que é importante criar-se uma política de Estado para se reorientar a música infantil em Angola, a fim de defender os valores culturais e patrióticos

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Fez parte de uma geração de cantores “piô”. Que memórias tem daquele tempo ou da música infantil?

A minha história como artista não é individual. É uma história de grupo. Foi uma iniciativa da Rádio Nacional de Angola (RNA). Na época, teve a ideia de “chamar” os pais que identificassem algum talento nos seus filhos para poderem participar no festival infantil que era em celebração ao Primeiro de Junho, Dia Mundial da Criança. Nessa altura, sei que não era propriamente meu talento, mas da minha mãe, Rosa Roque, que, enquanto compositora, achou que fosse uma forma de trazer ao mundo algo que ela sabia fazer. Então, ela compôs e, se- gundo ela, eu na altura tinha três anos apenas. Sentiu que tinha capacidade de reproduzir aquilo que ela criou. A minha Mãe dizia que eu tinha facilidade em reproduzir coisas com muita facilidade. A minha apresentação em público era completamente diferente, porque eu era tímida, no entanto surgi- ram as Gingas onde eu me apresento, porque a minha mãe trabalhou na minha apresentação com a minha prima, a Ruzema Galiano.

O dueto Gingas surge nesse período?

O duo Gingas começou nesse período. Éramos mesmo muito pequenas! Mas, a minha mãe sabia que existia uma outra iniciativa no Maculusso que era dirigida pela tia Boneca Feia, por isso foi buscar também essas meninas que já existiam e se juntaram a nós.

Em que ano aconteceu a ida para a RNA?

Foi em 1983. Nesta ordem, a aparição do Gingas, ou seja, o começo de tudo, deu-se em 1983. Essa foi a nossa primeira participação e daí nunca mais deixamos de fazer parte do projeto. Ano após ano, fomos aparecendo e a Escola Piô da RNA nos identificava sempre como as do Maculusso, por isso surgiram as Gingas do Maculusso.

E as memórias?

As memórias que tenho desse período maravilhoso, para mim, são mágicas, porque nem todos tinham acesso à Escola Piô. Era aquela em que todo o mundo, com a nossa idade à época, queria fazer parte. Éramos, digamos, residentes da Escola Piô.

O festival de música infantil no dia 1 de Junho era o ponto máximo?

A preparação para o festival do Dia Internacional da Criança era maravilhosa. Era entrar num mundo mágico, porque, naquela altura, o espetáculo tinha uma abrangência mágica. Eram os cenários, eram as histórias contadas e representadas, todas elas musicadas por grandes autores da música angolana.

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