OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 13 Fev 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Uma palavra amável pode mudar tudo

Jornal OPaís por Jornal OPaís
17 de Junho, 2025
Em Opinião

Vivemos num tempo em que as palavras perdem cada vez mais o seu peso… e paradoxalmente, ganham o poder de ferir com uma rapidez assustadora. Basta abrir uma rede social, assistir a um debate, entrar numa fila ou atravessar a cidade num transporte público para perceber o quanto as pessoas estão na defensiva. A menor provocação, o menor erro, a menor falha de atenção ou de postura, e a reação vem pronta, impaciente, cortante.

Poderão também interessar-lhe...

O que é mais importante no sistema educativo angolano: o percurso do aluno durante as aulas ou a nota da prova?

O papel do desporto na diplomacia africana

Gestão da ENDE: Um abismo de ineficiência

No entanto, entre os vários pequenos tesouros que se podem encontrar no livro de Provérbios que aceitei o desafio de ler, capítulo a capítulo, há um que me marcou: “Uma palavra amável acalma a ira.” É simples, talvez até pareça óbvio. Mas é profundamente verdadeiro.

E mais do que isso: é transformador. Porque todos, sem excepção, já estivemos de um dos lados, ou dos dois. Já fomos quem recebeu uma palavra dura num momento delicado. E também já fomos quem, tomado pela frustração, reagiu com azedume e mágoa.

Quantas vezes a vida exige de nós uma resposta à altura do confronto? Quantas vezes acreditamos que calar é fraqueza, que suavizar é ceder, que a única forma de sermos respeitados é devolver com a mesma moeda? Mas e se for o contrário? E se o verdadeiro poder estiver exatamente na capacidade de conter o impulso e de escolher a palavra certa? Não aquela que fere, mas aquela que cura. Não aquela que grita, mas aquela que toca.

Não aquela que cala o outro, mas que o convida a escutar. Num contexto como o nosso, onde muitos serviços públicos são prestados em ambientes tensos e mal preparados, esta reflexão ganha contornos ainda mais reais.

Não é segredo para ninguém o quanto nos custa, por exemplo, ter de tratar de um documento numa repartição pública. Já vamos com o espírito pesado, preparados para a demora, para a desorganização, e talvez para o mau humor.

A fama que as atendentes e funcionários carregam é muitas vezes negativa, mas também é verdade que nós, os utentes, chegamos com pouca paciência, e nem sempre com a disposição de sermos educados ou compreensivos.

Recordo uma vez em que fui tratar de um documento. Cheguei ao balcão e, do outro lado, estava uma senhora com o rosto fechado, semblante tenso, daquelas expressões que dizem sem palavras: “não me provoque.”

Quando chegou a minha vez, respirei fundo e escolhi não me proteger, mas me aproximar. Olhei-a nos olhos, sorri com delicadeza e disse: “Bom dia, está tudo bem consigo? Está com um ar preocupado. Espero que não seja nada de grave.”

A senhora suspirou. Por um momento, pareceu não saber o que dizer. Depois respondeu, num tom mais brando: “Estou com uns problemas em casa… mas vai passar.” A conversa fluiu, o atendimento correu com cordialidade e respeito, e saí dali com a certeza de que aquela mulher não era rude.

Apenas estava sobrecarregada. E que talvez o que eu lhe dei, naquele breve instante, foi apenas o direito de ser vista como pessoa, antes de ser funcionária. Esta experiência, como tantas outras, recorda-me que não há receita mágica para evitar o conflito. Mas há escolhas.

E a palavra que usamos é sempre uma delas. Podemos sempre reagir. Mas também podemos escolher responder. Podemos calar. Mas também podemos acolher.

Podemos atacar. Mas também podemos desarmar. Hoje escrevo esta partilha com a esperança de que possamos usar mais palavras que aliviam. Que sejamos menos rápidos no julgamento e mais atentos ao que está por detrás dos rostos fechados.

Porque às vezes, por trás de uma cara fechada, há apenas alguém cansado. E por trás de um mau atendimento, há alguém com dores invisíveis. E talvez, ao oferecermos uma palavra amável, sejamos a pausa de que aquela pessoa precisava para voltar a respirar.

Que Deus nos conceda sabedoria para sermos canal de paz, mesmo quando nos provocam. E que a nossa fala não seja apenas som, mas também semente. Receba o carinhoso e apertado abraço, bem como a promessa de voltar para mais partilhas matinais. N’gassakidila.

Por: LÍDIO CÂNDIDO ‘VALDY’

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

O que é mais importante no sistema educativo angolano: o percurso do aluno durante as aulas ou a nota da prova?

por Jornal OPaís
13 de Fevereiro, 2026

O sistema educativo angolano está em constante crescimento. Nota-se, claramente, o esforço que o executivo tem feito em diversos sectores...

Ler maisDetails

O papel do desporto na diplomacia africana

por Jornal OPaís
13 de Fevereiro, 2026
DANIEL MIGUEL

O desporto deixou há muito de ser apenas competição. No século XXI, tornou-se uma das ferramentas mais eficazes de projecção...

Ler maisDetails

Gestão da ENDE: Um abismo de ineficiência

por Jornal OPaís
13 de Fevereiro, 2026

Cada apagão na ENDE não é mero acidente, mas sintoma de uma gestão estatal cronicamente ineficiente, com prejuízos de centenas...

Ler maisDetails

O amor na era do materialismo

por Jornal OPaís
13 de Fevereiro, 2026

O Dia dos Namorados, outrora celebrado com um romantismo quase ingénuo e um profundo sentido de sacrifício, parece ter-se transfigurado...

Ler maisDetails
DR

Bombeiros recuperam corpo do jovem vítima de queda no precipício de mais de 200 metros

13 de Fevereiro, 2026

Navio de turistas atraca em Luanda para festejar o Carnaval

13 de Fevereiro, 2026

O que é mais importante no sistema educativo angolano: o percurso do aluno durante as aulas ou a nota da prova?

13 de Fevereiro, 2026
DANIEL MIGUEL

O papel do desporto na diplomacia africana

13 de Fevereiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.