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O reino das galinhas e o mito das relações

Jornal Opais por Jornal Opais
25 de Abril, 2025
Em Opinião

Existem vozes que sinalizam departamentos ministeriais, ali mais fundo do ser. O acesso ao som demanda auto-nomear-se, no apelo e no conforto.

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Na rotina pela busca do milho, surgem galinhas com velocidade de avião, quando os contextos exigem pedalar. Pé na estrada não é garantia. Haverá, ao longo da carruagem, quem esteja em pé com uma estrutura defunta.

Só nesses casos é que cortámos a meta antes da fita, o filme acaba antes de começar e, mais tarde, absortos no vácuo da culpa, a matemática torna-se indispensável à vida de qualquer criatura que se entrega ao exame epistemológico.

Pena que a ilusão nos acorda tarde no meio dos que vivem à custa do «se tiver de ser, que seja», como se a vida dependesse do mero desjo sem substância. Para não carregar o peso sozinho, vergo-me aos velhos tempos e de lá subtraio palavras soltas.

É popular que não se precisa de requerimentos para situações em que as moscas, por natureza, auto-convidam-se a si mesmas.

Os mais velhos dir-nos-iam que a ausência de dentes não impede o sorriso. Voltados à mesmíssima actividade, as galinhas lançam sustos com a eventual quantidade de milho que se deixou à disposição. Numa observação directa, aqui, «à disposição» tem feições próximas «à deriva».

Afinal, feitas as contas, somos seres satisfeitos na miséria: basta encontrar um bago de milho que os nossos faróis acendem fantasias. No barco que me conduz ao hoje, sempre conservei um tempo para os encontros comigo mesmo, neste mundo em que os outros infernizam os nossos poucos instantes de lucidez.

São as leituras ao mundo que me fazem perseguição: a diplomacia entre uma galinha e o seu dono é um jogo de falsos cuidados e falsas serventias.

Não me espanta o facto de que, em ambos os casos, o fingimento é um código comum. Quando se aproxima o silêncio laboral, as galinhas retornam ao babitat e são recebidas com água benta.

No dia seguinte, são pretéritos organismos, condecorados com a medalha mais alta – digníssimos petiscos. Entretanto, quando a cabeça já não se regula, uma galinha escolhe perder-se em outros lares, sem considerar que o dono tenha planos para um futuro muito próximo.

Como castigo, o dono reveste-se de vários encargos, dentre os quais, ressalta-se o de juiz do tribunal constitucional das galinhas saudáveis. «Não é por mim; é pelo povo».

Como um criminoso que elimina as provas, o dono, enquanto juiz, não tem a tradição do princípio da inocência que ele mesmo, num dia de embriaguez, deixou estampado na capoeira, tampouco liga para a necessidade de ouvir as aflições de cada galinha.

Assim, como uma faísca, acorda em dia de sol, toma vinho e uns tantos remédios, para não ouvir o cacarejar das demais galinhas no bairro, e lança uma decisão peremptória: «embora tenha havido mortes, as galinhas merecem viver e, por isso, usando os poderes exacerbados, decreto vinte e cinco dias sem tomarmos caldos, nem ovos neste bairro».

Não é ao todo verdadeiro que não se engane às crianças mais de uma vez com a mesma casca. Eis a fórmula do paralelo.

Como se houvesse mudança no xadrez, as galinhas acreditaram nas férias de vinte e cinco dias. Afinal, findo o prazo, aproximava-se uma ceia maior, que teria exigido mais galinhas e mais ovos.

E uma coisa ficou clara: silêncio não traduz falta de problemas. Talvez seja um caso de montagem de estratégias que dão solução aos problemas ou que criam novos atritos. Todo um crime tem versos que o precedem.

Quer numa situação, quer noutra, não será o relacionamento entre a galinha e o seu dono um protótipo válido para o carácter efémero das relações efectuosas? Se nos dão dias de silêncio, é preciso prestar atenção à chuva que se desenha à frente.

É imprescindível que a desconfiança nasça, quando, numa situação de crise, um santo nos serve à mesa «uma esmola».

É o primado da mão que alimenta, enquanto a outra afia a faca na pedra. No olhar essencialista, mesmo no materialista, depois de a inutilidade nos visitar, aí na casa dos poucos anos de vida, descobrimos que nunca tivemos valor que traslada o hoje, o imediato, e que, no fundo, somos todos vermes, qual Gregor Samsa, em Kafka, pois só nos resta o dia da nossa metamorfose.

Que os homens, no seu «andar por andar, como se o mundo tivesse um teclado que exibe analepse», tenham coragem de ouvir e aprender com as galinhas sobre o mito das «relações entre os seres na aparência». Para quando a próxima vítima? Fica a busca!!!

 

Por: XIMBULIKHA

*Escritor. 

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