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Belos acasos da vida

Jornal Opais por Jornal Opais
27 de Agosto, 2024
Em Opinião

Ligaram-me da esquadra policial para, lá ir, obter informações sobre o caso que, há meses, não se obtem nenhum deferimento. Posto, no posto policial, cruzei como uma amiga de longa data, e enquanto aguardávamos o atendimento, vimos chegar um par de amigos dispostos a expor seus problemas na perspectiva de vê-los solucionados pelos agentes da nossa polícia que, até onde sei, também têm problemas por resolver. Morreu, com o disparar da arma de um polícia, a senhora lá na Rua da Dona Amália, no Rangel, mas, deixemos, voltemos para cá.

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O senhor juntou-se a fila, de queixosos e sem que a gente questionasse, olhou para nós começou por narrar a sua história. – Os meus filhos não querem me deixar chorar a minha mulher, eles querem-me fora da minha casa, porque segundo eles a mãe lhes disse que sou eu quem causou a sua morte. Eu não sei se lhe choro ou se fico chateado por ela me colocar contra os meus filhos.

– O que fez o senhor? – inqueri movido pela curiosidade. O senhor mirou para mim e anunciou. – Moço, eu estou a falar com o meu amigo. -Sou escritor e… -Não importa o que és, – interrompeu-me o senhor, dizendo, – se és mesmo o que dizes ser, sugiro que vás ao condomínio junto ao Belas, há uma moça estendida no chão. Vá saber o aconteceu e contenos o que ocorreu, o meu caso não interessa às pessoas, pode ser apenas o ponto de partida. Deixei a amiga, o meu caso e parti para o condomínio.

Lá me apercebi que um cidadão, de 54 anos, morador do mesmo condomínio estava a ser acusado de ter jogado a “amante” pela janela do 5º andar. Segundo relatos, a vítima e o suposto homicida, encontraramse na amanhã daquela quinta-feira, nas imediações do Talatona, onde a malograda foi convidada pelo suspeito para seguirem até ao apartamento onde este residia com a esposa que, até então encontrava-se de viagem.

No interior da residência o casal terá mantido relações sexuais e, não satisfeito, o homem terá sugerido a senhora que continuasse acto, mas esta, cansada, terá-se recusado, fazendo com que este perdesse a cabeça e partisse para cima dela, pois, conforme disse o escritor do meu tempo, o sexo é como a fome: quando o faminto não come por muito tempo, assim que encontra a comida, quer comê-la até saciar toda a vontade.

Conforme dizia, o homem terá partido para cima da mulher, talvez movido pela ideia de que um homem sensato e apaixonado pode agir como um louco, mas não deve em circunstâncias nenhuma agir como um frouxo.

Ou talvez fosse movido pelas palavras da escritora francesa Ninon de Lenclos, que certa vez referiu que, por vezes a mulher prefere uma leve indelicadeza do que a demasia consideração, pois quanto mais respeito o homem tiver, mais resistência ela mostrará.

Ou talvez o suspeito não se tenha dado conta de como estava a exagerar, de como em tão pouco tempo o corpo dela estava encostado a janela. Talvez não tenha compreendido quando e como o corpo atravessou a fina abertura e caiu jogado no jardim do condomínio.

Funcionários do edifício e moradores contaram ter ouvido um barulho no apartamento do suspeito, e minutos depois viram o corpo da malograda estendido no jardim do condomínio, apenas com roupas íntimas, segurando a maçaneta partida, apresentando sinais de violência no pé direito, fractura no braço esquerdo, no pescoço e secreções na boca.

O suspeito terá olhado para baixo e visto o corpo envolvido de pessoas deixando cair da boca palavras exclamatórias como: “bem bonita”. “Vem ainda bem, parece que esta a respirar” e de facto estava tanto que alguém aproximou-se esta aparecendo-se da presença tentou extrair uma palavra, se converteu em sangue nos lábios provocando assim a sua morte.

Não tardou para que chegassem os agentes da polícia que logo perguntaram: quem foi o primeiro a ver a morta? Todos disseram ter visto o corpo antes dos agentes que subiram decididos a, pelo menos, serem os primeiros a adentrar no apartamento e deter o suspeito.

Ao senhor que mo propôs este desafio espero que encontre este relato, compreenda o que ocorreu e se possível se ofereça a me contar o que, de facto, fez para que os filhos não lho deixassem estar junto daqueles que lamentavam o passamento físico de sua esposa.

 

Por: Dito Benedito

*Escritor e Jornalista

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