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É de hoje…Pão e as mãos invisíveis

Dani Costa por Dani Costa
11 de Janeiro, 2024
Em Opinião

Longe parece estarem os tempos em que uma conhecida empresa angolana tinha como slogan “Coma pão à vontade, a farinha é nossa”. Na época, muito do que se consumia em termos de panificação tinha como fonte uma unidade fabril no Kikolo, município do Cazenga, onde ainda podem ser vistos os silos e aquela infra-estrutura imponente que ao que tudo indica também já mudou de mãos.

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Claro está que nem sempre se viveu um tempo de bonança, como se assiste hoje, em que milhares de angolanos manifestam descontentamento por conta da redução do tamanho do pão, o seu preço acrescido e uma suposta inexistência de farinha de trigo no mercado. Regressar aos tempos do famoso pão burro, com o qual sobrevivemos largos anos no período mais difícil do conflito armado, é coisa que já nem passa pela cabeça de muitos.

Embora em muitos ainda permaneça na boca o saudosismo do sabor dos pães da Pameli, Leão, Sopão, Kaxicane e outras panificadoras. Por estes dias, em Luanda, sobretudo, e noutras províncias, os clientes queixam-se da falta de peso que o pão vai apresentando dia após dia. Diz-se que o produto esteja a minguar por conta da escassez de trigo no mercado, enquanto se aguarda ansiosamente que os projectos do Executivo, como o Planagrão e outros, possam contrapor as necessidades existentes no país.

Felizmente, ao contrário do que se pode pensar, a escassez que se assiste no mercado está muito longe de ser um assunto que se deva imputar ao Executivo angolano. Quem escutou ontem o responsável da Associação de Panificadoras de Angola ficou com a sensação de que, afinal, existem mesmo muitos comerciantes de má-fé que não olham a meios para atingir o lucro. Enquanto a nível interno muitos deles barafustam e apontam o dedo ao Executivo por causa da suposta falta de divisas para importar, por exemplo, o trigo ou até financiamentos para reforçarem as suas empresas, muitos deles optam depois por transferir este mesmo produto para a República Democrática do Congo.

Ou seja, reexportam o que se pensava vir a servir os angolanos, onde recebem o dinheiro para o efeito. Pessoalmente, não gosto muito do termo ‘mãos invisíveis’ devido ao dumping que se vai observando no sector, havendo, se calhar, quem esconda o produto para o revender momentos depois.

Mas o termo ‘mãos invisíveis’ foi usado pelo responsável da Associação de Panificadoras do país, esperando este que o Estado angolano adopte uma medida que vise proibir a exportação de trigo nesta fase em que o país ainda precisa do referido produto. Quem sabe se assim não se volta a ter o pão com o peso e o tamanho que muitos cidadãos dizem estar a desaparecer por estes dias e, se calhar, nem consegue matar a fome.

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