A dois dias de celebração do Dia Internacional da Mulher, as associações de defesa unem-se, uma vez mais, para o reforço do apelo da necessidade de maior denuncia, a aceleração da Revisão da Lei Contra a Violência Doméstica, a punição severa dos agressores e maior protecção a todas as mulheres que, no dia-a-dia, se vêem encurraladas e cercadas contra todas as formas de agressão, desde a física à psicológica
O silêncio continua a ser um dos grandes males que as diferentes organizações de defesa dos direitos das mulheres registam na luta contra a violência doméstica que, pelo país segue todos os dias, fazendo novas vítimas, apesar dos vários apelos, decretos de leis, palestras e outras iniciativas com vista a estancar o problema.
De acordo com relatos de várias organizações de defesa que operam no país, o medo de quebrar o silêncio tem feito com que muitas mulheres se vêem diariamente agredidas, quer física, como psicologicamente, resultando, assim, muitas vezes, no ferimento e tragédia com o fim da vida de varias mulheres.
Apesar dos apelos na mídia convencional, nas redes sociais, marchas de apoios, palestras, contactos directos e outras formas de divulgação dos alertas para a necessidade de maior denúncia, ainda assim, apontam as organizações, o número de queixa continua a ser bastante reduzido, a julgar pelo grosso de agressões e violências que o país ainda regista.
Dados oficiais, divulgados em 2025, apontam que o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) registou, em 2024, 14.587 casos de violência doméstica, sendo 6.332 do sexo masculino e 8,255 do sexo feminino.
Já os Centros de Aconselhamento Familiar (CAF) recebem, por dia, cerca de 39 casos de agressões. Por seu turno, em declarações ao Jornal OPAIS, a presidente da Associação das Mulheres Angolanas Vítimas de Violência Doméstica, Antónia Pungo, disse que, em 2025, a sua organização registou o grosso de 250 casos de queixas, um número que considera pouco, a olhar para os casos de violência que acontecem e quem são abafados no seio das famílias.
Explicou ainda que, fruto da sensibilização, se verificou que, desde Dezembro último até ao momento, a sua organização regista entre 4 e 5 casos de violência domésticas contra as mulheres. “As mulheres devem entender que o silêncio mata. E Mata mesmo. Precisamos de denunciar e fazer ouvir a nossa voz para que sejamos salvas”, alertou.
Medo e vergonha são aliados tóxicos
De acordo ainda com a presidente da Associação das Mulheres Angolanas Vítimas de Violência Doméstica, o medo e a vergonha seguem na estatística como aliados tóxicos naquilo que é a luta para o fim da violência doméstica que se pretende.
Conforme explicou, muitas mulheres só pedem socorro quando a situação de violência atinge níveis irreversíveis, em que já há lesões, tonturas e até mesmo mortes que dizimam e enlutam centenas de famílias. “A maior parte das mulheres só pede socorro quando já estão com as vidas completamente destruídas.
Aí é que elas próprias e a sociedade tomam consciência do quanto a violência contra a mulher é bastante grave e destruidora”, apontou. Morosidade da justiça é outro dos males Outrossim, Antónia Pungo entende que a forma como os diferentes órgãos tratam os casos de violência doméstica não contribui para aquilo que são os passos que as organizações de defesa dos direitos das mulheres tem dado.
Segundo a líder associativa, as quadras de polícia, sobretudo, ainda tratam a situação da violência contra as mulheres como um problema do casal, pelo que só intervêm depois de alguma tragédia.
A título de exemplo, Antónia Pungo fez saber que das mais de cem queixas que a sua organizaão registou às autoridades competentes, apenas 8 casos tiveram respostas, sendo que as restantes continuam sem tratamento. “Ainda temos, infelizmente, esse problema de agentes que, mesmo vendo a mulher sofrida, pensam que é frescura ou um caso do casal. É triste”, deplorou.
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