Sinistrados das cheias de 12 de Abril estão com um misto de sentimentos entre a esperança e o cepticismo do dia seguinte ao transbordo do rio Cavaco, na sequência do rompimento dos diques de protecção. Dados oficiais consulta dos por este jornal apontam que as cheias afectaram 13.374 famílias. Dois meses depois, as vítimas das cheias, obrigadas a adoptar um novo conceito de viver (em tendas), pressionam o Governo para acelerar a construção e reabilitação das suas residências. Eles erguem as cabeças, convictos de que para frente é o caminho
Dois meses depois das cheias que dizimaram mais de três de zenas de vidas, destruíram casas e desalojaram milhares de famílias, o Tchipiandalo, o bairro mais afectado, renasce das cinzas. Um número considerável de moradores, sobretudo da conhecida zona da Gingera, está, temporariamente, acolhido no Novo Campismo.
Aos poucos, alguns moradores vão regressando à zona, onde os escombros dão as boas-vindas a quem por lá passa, segundo constatou este jornal, que esteve recentemente no local. São centenas de casas destruídas pela “fúria” das águas, lagoas forma das e ravinas abertas.
De um lado, pode observar-se a inocência de crianças a brincar em águas de coloração desaconselhável; do outro, residências desabadas, num cenário que tem provoca do um silêncio sepulcral.
“Na se mana da tragédia, só o cheiro que saía desta água”, pontualiza a moradora Maria Matelele. Quando se deram as cheias, ela, o filho e mais duas irmãs viram se obrigados a abandonar as suas residências, na zona do PT, e refugiaram-se numa área mais se gura, na Conserveira. A água não chegou àquela zona com tanta fúria como na Gingera, contou.
“Por isso é que as pessoas iam todas para lá”, acrescenta. Dois meses depois, permanece no subconsciente dos moradores o drama vivido. São recordações que os acompanharão para o resto da vida, porquanto um cenário daquela natureza, até antes de 12 de Abril, pensavam que ape nas acontecia em filmes, recorda a anciã Verónica Segunda.
Por: Constantino Eduardo, em Benguela








