O Serviço de Investigação Criminal, em Luanda, deteve um efectivo da mesma corporação e três da Polícia Nacional, por fortes indícios da prática dos crimes de homicídio qualificado em razão dos motivos e em concurso com outros, por sonegação de cadáveres e ocultação de provas.
Trata-se de um gente de investigação criminal de 3ª Classe, um intendente, comandante da Esquadra da Vila Azul, um subinspector, chefe de pelotão da Esquadra, e um 1.º subchefe, graduado de serviço, apontados como os principais suspeitos da acção criminosa que vitimou mortalmente o efectivo da PIR, Joaquim Afonso Cardoso Gunza, de 33 anos, e um outro cidadão ainda por identificar, ocorrida na quinta-feira, 16 de Julho de 2026, no Bairro Kikuxi, em Viana.
De acordo com o porta-voz do SIC-geral, superintendente-chefe de investigação Manuel Halaiwa, a investigação rigorosa levada a cabo pelos peritos permitiu determinar que o crime ocorreu na parte dianteira do quintal da Esquadra, por disparos de arma de fogo do tipo pistola.
Segundo o responsável, à data dos factos, o presumível autor, agente do SIC, que nesta altura encontra-se foragido, em companhia do agente ora detido e de um terceiro em parte incerta, apesar de não estarem de serviço, encontrando-se supostamente em convívio, na madrugada, num dos bares do Luanda Sul, em Viana, terão interpelado a vítima quando se fazia transportar por um mototaxista.
Após levarem-nos até à Esquadra da Vila Azul, avançou a fonte, num presumível momento de desentendimento na hora de fazer descê-los da viatura, terão ocorrido os disparos contra as vítimas, que conheceram morte imediata.
Halaiwa sublinhou que investigações espoletadas permitiram apurar que o acto terá sido presenciado pelos efectivos da PNA, em serviço de piquete, entre os quais os que já se encontram detidos, que alegadamente nada fizeram para conter a acção injustificada.
Segundo o director nacional do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC, em acto contínuo, os agentes do SIC, de modo a desfazerem-se dos cadáveres, foram depositá-los no bairro Belo Horizonte, na via pública, juntamente com os demais objectos das vítimas e invólucros de munições.
Explicou que o órgão castrense mobilizou peritos de campo que procederam à inspecção judicial do local, onde foram encontrados dois cadáveres, e apreendidos uma arma de fogo do tipo pistola, marca TT, um bilhete de identidade, uma carteira de bolso com passe da Polícia Nacional e uma motorizada, marca Kawasaki, cor preta, sem matrícula.
Disse ainda que a investigação recorreu às câmaras de vigilância na localidade, que auxiliaram na identificação da viatura particular dos autores usada na acção.
Refiriu que os efectivos da PNA já detidos, e outros por deter, estão envolvidos no encobrimento deste acto, pois não reportaram a ocorrência, com a agravante de não terem tomado medidas adequadas contra os autores.
Sublinhou que para além do procedimento criminal, foi instaurado o competente processo disciplinar para tomada das medidas que se impõem.
Os efectivos ora detidos serão presentes ao Ministério Público para ulteriores trâmites legais, enquanto as diligências prosseguem para deter outros implicados.
O porta-voz reafirmou o compromisso do SIC com a verdade e a justiça, garantindo que a conduta dos seus efectivos deve ser sempre exemplar e a actuação profissional, quer estejam em serviço ou na vida particular, respeitando sempre os direitos e liberdades dos cidadãos, pois a violação destas regras é passível de sanções severas, que vão até à expulsão.
O órgão lamentou, igualmente, o sucedido e endereçou às famílias enlutadas os sentimentos de pesar, solicitando o apoio da sociedade para localização dos familiares da outra vítima ainda não identificada.
FILDA 2026






















