O tarifaço de 25% imposto pelos EUA deve elevar a tarifa média sobre produtos brasileiros a 18,2%, colocando o país como o segundo mais tarifado pelos norte-americanos e ameaçando mais de USD 11 biliões em exportações da indústria e do agro-negócio
As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, válidas a partir de 22 de Julho, de vem elevar o Brasil ao segundo lugar entre os países mais tarifados pelo mercado norte-americano. Segundo a plataforma internacional de monitoramento de políticas comerciais Global Trade Alert, a tarifa efectiva média aplicada ao país chegará a 18,2%, atrás apenas da China.
O cálculo considera a soma temporária das sobretaxas da Secção 301 com a tarifa global de 10% da Secção 122, cuja vigência expira em 25 de Julho. As medidas, anunciadas no fim de Fevereiro, podem durar até 150 dias, prazo que se encerra na próxima semana. A tarifa de 25% foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em 15 de Julho, após a conclusão de uma investigação que apontou políticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. Indústrias brasileiras tentaram reverter a decisão durante audiência pública em Washington, mas sem sucesso.
Com a entrada em vigor da medida, entidades empresariais alertam para impactos significativos sobre a competitividade nacional. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirma que o país passa a figurar entre aqueles com condições mais restritivas de acesso ao mercado norte americano. Segundo apuração de um portal de notícias brasileiro, a entidade estima que mais de USDE 11 biliões em exportações da indústria e do agronegócio podem ser afectados, ou seja, cerca de 26% das vendas brasileiras aos EUA. O tratamento, segundo a Amcham, contrasta com o superávit de USD 41,8 biliões dos EUA na relação bilateral em 2025.
De acordo com o relatório citado por Felipe Cima, da Manchester Investimentos, projecta-se uma tarifa efetiva de 16,8% e impacto de USD 1 bilião no fluxo comercial, além de redução de aproximadamente 0,03% no produto interno bruto (PIB) brasileiro. Ainda segundo a apuração, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também expressa preocupação e destaca que 20 dos 27 estados brasileiros já registaram queda nas exportações para os EUA no primeiro trimestre de 2026, tendência que deve se intensificar com o no votarifaço.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reforça que os efeitos vão além das vendas externas, aumentando a insegurança no comércio internacional e afectando investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas, destacou a mídia.








