Um total de oitenta fazedores de arte do município do Rangel, em Luanda, receberam, ontem, a Carteira Profissional do Artista, durante um workshop sobre a profissionalização da classe promovido pela Administração Municipal do Rangel, em parceria com a Associação dos Kuduristas de Angola. A iniciativa reuniu cerca de 200 participantes.
O objectivo do encontro foi sensibilizar os artistas para a importância da formalização da actividade artística, bem como divulgar os requisitos e as vantagens da obtenção da Carteira Profissional do Artista.
O presidente da Comissão da Carteira Profissional do Artista, Maneco Vieira Dias, explicou que a atribuição do documento obedece a critérios previamente definidos, podendo solicitá-lo profissionais com, pelo menos, cinco anos de exercício contínuo da actividade artística ou aqueles que comprovem formação e experiência na área.
Segundo o responsável, a comissão continua a desenvolver acções de sensibilização e mobilização dos artistas em todo o país, antes da implementação de eventuais mecanismos de fiscalização previstos na legislação.
Por sua vez, o presidente da Associação dos Kuduristas de Angola, Albino José Inglês, conhecido artisticamente por De Black, afirmou que a iniciativa visa aproximar os artistas das instituições do Estado e promover o conhecimento da legislação que regula o exercício da profissão.
De Black destacou ainda que a carteira representa um importante instrumento de reconhecimento institucional, permitindo aos artistas o acesso a benefícios como a inscrição na Segurança Social, melhores condições de mobilidade internacional e futuras políticas públicas destinadas às indústrias culturais.
Na ocasião, o administrador municipal do Rangel, Lourenço Domingos, reafirmou o compromisso da administração em continuar a apoiar o sector cultural, salientando que a profissionalização dos artistas constitui um factor de promoção do emprego, da inclusão social e da valorização da cultura nacional.
O responsável informou igualmente que a Administração Municipal tem disponibilizado diversos espaços públicos para actividades culturais, entre os quais a Casa da Cultura do Rangel, o Cine Atlântico, o Centro Recreativo Kilamba, o Largo da Família e o Parque da Independência.
Durante o workshop, os participantes apontaram como principais desafios a escassez de espaços para apresentações, as limitações financeiras para a produção artística e a necessidade de maior reconhecimento institucional da classe.
A artista Josefa Ramos, conhecida por Fruta Rara, considerou que a carteira profissional contribuirá para a valorização dos fazedores de kuduro e facilitará a identificação dos artistas em Angola e no exterior.
Já o kudurista Puto Lílas defendeu que o documento poderá abrir novas oportunidades de trabalho e facilitar o acesso a projectos culturais, tendo igualmente apelado à realização de mais acções de formação destinadas aos jovens artistas.
FILDA 2026




