Dependentes e amarrados, é assim que anda a vida de centenas de cidadãos que recorrem ao negócio dos juros no mercado financeiro paralelo para ajustar as contas do mês. Com os apertos e regras que este negócio, movimentado por grupos de senhoras, dita, muitos acabam contraindo dívidas avultadas, o que resulta, muitas vezes, em perdas de bens e até perseguições que viram casos de polícia. As autoridades desaconselham a prática, enquanto especialistas alertam para os perigos no negócio que cresce sem respaldo legal
Num contexto marcado pelo aumento do custo de vida, perda do poder de compra, dificuldades de acesso ao crédito formal e má gestão dos salários, os empréstimos informais têm vindo a ganhar espaço diariamente.
Conhecidas popularmente como as “tias dos juros”, mulheres e homens que emprestam dinheiro mediante a cobrança de juros elevados tornaram-se uma alternativa para centenas de cidadãos que procuram responder a necessidades imediatas, como o pagamento da renda, propinas despesas de saúde, alimentação ou outras obrigações familiares.
Sem exigências burocráticas, como avalistas, declaração da empresa, NIF actualizado, documentos autenticados por um notário ou longos períodos de espera, o dinheiro é disponibilizado quase de imediato.
Em contrapartida, os beneficiários assumem compromissos financeiros que, em muitos casos, absorvem uma parte significativa do salário mensal, dando origem a um ciclo de endividamento do qual nem sempre conseguem sair.
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