O garimpo de ouro nos municípios do Chipindo, Kuvango, Jamba e Dongo, província da Huíla, está a ganhar contornos alarmantes e preocupa os ambientalistas. Naquelas paragens, o silêncio das autoridades preocupa, visto que a agressão ao ambiente é visível
Além do Chipindo, Kuvango e o Dongo, a mina de exploração ilegal de ouro com mais incidência é a da Palanca, localizada no município da Jamba, onde mais de 1000 pessoas de vários pontos do país estão concentradas à procura do precioso metal. A actividade é desenvolvida por jovens, crianças e senhoras com idade compreendida entre os 15 e os 40 anos, sendo que outros são compradores do produto.
Para calcular o peso do produto final, de acordo com um dos responsáveis da organização da mina da Palanca, foram criadas “normas” que ditam o preço do produto depois de todo o processo, que vai da escavação da terra, até a lavaria criada ao pé do rio que atravessa a localidade.
Assim sendo, os dois sistemas criados para se pesar o ouro acabam por reflectir o preço que vai de 137 a 170 mil kwanzas por cada grama de ouro bruto, vendido principalmente aos estrangeiros que actuam no mercado.
“Nós usamos dois sistemas, no sistema WT, um grama de ouro está no valor de 160 a 170 mil, no sistema G está, a 135 a 137 mil Kwanzas. Os nossos maiores compradores são provenientes da Jamba, mas também temos estrangeiros que vêm para cá comprar a nossa produção, temos aqui senegaleses, mauritanianos, namibianos e congoleses democráticos”, revelou.
Nesta ordem, cada pessoa que quer dedicar-se à actividade, tem a obrigação de criar uma equipa composta por homens para trabalhar e com capacidade para cavar buracos.
As condições alimentares devem fazer parte do caderno de encargos, uma vez que os garimpeiros não podem ficar sem se alimentar, preferindo a farinha de milho, peixe seco e água mineral. Deste modo, a actividade da lavagem do cascalho polui a água e contamina os rios e assim se torna imprópria para o consumo. No entanto, a água mineral no terreno tem um valor e funciona como moeda de troca com outros produtos entre as equipas de trabalho.
Por sua vez, Augusto Kandangongo, garimpeiro de 32 anos, disse que se dedica a essa actividade devido à falta de emprego um pouco por todo o país, e gostaria que as autoridades governamentais alterassem o quadro. “O nosso trabalho é feito com base na situação que a população está a passar.
A juventude está a passar por necessidades. Por isso, gostaria que os nossos governantes velassem pela situação do desemprego da juventude. Nós, estamos no garimpo artesanal, que é aquele em que a gente cava com meios manuais”.
O jovem informou ainda que a facturação nestas minas de ouro depende da sorte de cada pessoa, uma vez que a facturação pode chegar aos 200 ou 500 mil kwanzas. Pelo que vive como garimpeiro, Augusto Kandangongo defende a criação de cooperativas para o Governo tirar dividendo e criar melhores condições para todos com a cobrança de impostos.
Por: João Katombela, na Huíla








