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Bombeiros voluntários clamam por reconhecimento e alertam para os riscos na salvação sem técnica

Domingos Bento por Domingos Bento
13 de Junho, 2025
Em Sociedade

O grito de socorro dos Bombeiros Voluntários voltou a ganhar força, estes dias, depois da ocorrência na semana finda, em que um autocarro, com mais de cinquenta passageiros, despistou e caiu numa bacia de retenção. A associação, que controla mais de mil voluntários e que pede maior atenção do Executivo no reconhecimento dos seus efectivos, alerta para um melhor conhecimento das técnicas de salvação sempre que se pretende salvar alguma vítima de incêndio, acidente, enchentes ou outras ocorrências. Já os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros ignoram o pedido de socorro do grupo de voluntários por estes não terem respaldo legal

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A falta de apoio material, financeiro e enquadramento legal às estruturas do Estado tem estado a desincentivar o processo de expansão dos Bombeiros Voluntários nos bairros de Luanda, sobretudo nas zonas que apresentam maior perigosidade e cercadas de ravinas, valas de drenagens, bacias de retenção de água e de outros riscos em que estes cidadãos são constantemente chamados a intervir.

A informação foi dada ao jornal OPAÍS pela secretária nacional da Associação dos Bombeiros Voluntários de Angola, Teresa Campos, que lamentou a desatenção do Estado em relação a esse grupo de cidadãos que se doam para ajudar no resgate de bens, recuperação de meios e salvação de vidas.

Ao todo, contas feitas, Teresa Campos deu a conhecer que mais de mil jovens constituem o grupo de Bombeiros Voluntários de Angola e que, desde 2017, vêm se desdobrando no auxílio aos operativos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros no atendimento de várias ocorrências e salvamento de vítimas.

Até ao momento, Teresa Campos fez saber que a sua organização já atendeu, desde a sua fundação, mais de duas mil ocorrências em várias partes de Luanda, um número que, segundo disse, poderia ser maior caso houvesse mais apoio do Estado e da sociedade civil na mobilização de ajuda para este grupo de homens e mulheres que dão o seu tempo e vida para salvar outras vidas.

O grito de socorro dos Bombeiros Voluntários voltou a ganhar forças depois da ocorrência na semana finda, em que um autocarro, com mais de cinquenta passageiros, despistou e foi cair na Bacia de Retenção da Estrada de Catete, sentido Viana-Luanda, tendo causado dois mortos e o ferimento de várias pessoas.

O ocorrido só não foi pior por conta da ajuda de um grupo de jovens, lavadores de carros, no perímetro, que, mesmo sem conhecimento das técnicas de salvamento, se mobilizou para resgatar as vítimas, muitas delas crianças, velhos e mulheres.

Ajudar com consciência

A Associação dos Bombeiros Voluntários de Angola louvou a iniciativa dos jovens, carregada de humanismo e sentido de amor, mas alertou para a necessidade dos riscos que os envolvidos na salvação correram diante daquele cenário caótico e triste.

Para Teresa Campos, é preciso que se conheçam as técnicas de salvação sempre que se estiver diante de uma situação de ajuda para não se correr o risco de o outro que está a salvar acabar, igualmente, de ser uma das vítimas.

Para o efeito, frisou, é que a Associação dos Bombeiros Voluntários de Angola tem vindo, com meios próprios, a formar centenas de jovens a nível das comunidades para ajudar na salvação de vítimas que estejam em situação de apuro, como aconteceu, agora, com o acidente do autocarro.

Conforme explicou, a falta de apoio tem limitado a expansão dos Bombeiros Voluntários a nível dos bairros, apesar do interesse demonstrado e manifestado por muitos jovens, em fazer parte do grupo.

“Se tivéssemos mais apoio, deveríamos ter feito muito mais pelas comunidades. Mas acontece que trabalhamos com recursos próprios e fica difícil atingirmos mais comunidades”, destacou.

Meios próprios e condições adequadas De acordo ainda com Teresa Campos, a actividade de Bombeiro Voluntário exige a aposta em meios e condições próprias, que só é possível com o apoio do Estado e das comunidades, desde a compra de equipamentos, logística, fardamento, formação e alimentação para os operativos, na sua maioria jovens dos 18 aos 40 anos de idade.

Referiu que muitos destes são jovens provenientes de famílias carenciadas e que têm a Associação dos Bombeiros Voluntários como uma das suas principais ocupações, pelo que a necessidade de recompensa ou estímulo deve ser uma das premissas que a associação tem levado em conta de forma a não desincentivar todos aqueles que se doam para o projecto a favor das comunidades.

“E não estamos a nos referir apenas a valores financeiros. Mas apoios materiais para ajudar no suporte da realização das nossas actividades”, apontou. Teresa Campos fez saber ainda que o grupo é constantemente solicitado a atender a várias situações, sobretudo em época chuvosa, também interveio quando da pandemia da COVID-19, assim como tem estado a intervir em situações de desabamentos e em outras ocorrências, muitas vezes, substituindo o papel dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros que, pela sua limitação, não pode estar em todos os bairros.

“Há situações em que chegamos primeiro que os próprios bombeiros oficiais porque nós estamos nas comunidades. Aí, onde existem pessoas, nós estamos, não importando o horário”, frisou.

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