O município de Ondjiva, província do Cunene, foi palco da primeira Reunião Anual de Avaliação do Programa Nacional de Erradicação do Verme da Guiné. A persistência do vírus em animais preocupa as autoridades sanitárias angolanas, pois, entre 2018 e 2024, foram registadas 137 infecções deste verme
Organizada pelo Ministério da Saúde de Angola, com o apoio técnico da Organização Mundial da Saúde e do The Carter Center, a primeira Reunião Anual de Avaliação reúne autoridades nacionais e provinciais, administradores municipais, profissionais de saúde, líderes tradicionais, parceiros internacionais e representantes dos sectores da Agricultura, Energia e Águas e Ambiente, reforçando uma abordagem multissectorial baseada no conceito “Uma Só Saúde”.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que trabalha naquela província, disse que a erradicação do Verme da Guiné exige compromisso colectivo, coordenação entre diferentes sectores e o envolvimento activo das comunidades. “A erradicação do Verme da Guiné não é apenas um desafio do sector da Saúde. Precisamos do empenho das autoridades tradicionais, líderes comunitários, administrações municipais e de todos os sectores para garantir que nenhum angolano volte a ser afectado por esta doença evitável”, afirmou a ministra.
Embora Angola não registe casos humanos desde 2020, o país continua classificado como endémico devido à persistência de infecções animais. Entre 2018 e 2024, foram confirmadas 137 infecções em animais, sobretudo cães, mantendo activo o risco de reintrodução e reforçando a necessidade de vigilância activa.
O país iniciou a busca activa de casos em 2011 e integrou o Verme da Guiné nas campanhas de vacinação contra pólio, sarampo e rubéola a partir de 2018, aumentando a sensibilidade do sistema de vigilância.
Entre 2018 e 2020, três casos humanos foram confirmados nos municípios de Namacunde e Cuvelai, na província do Cunene. Durante os dois dias de trabalho, os participantes irão analisar a qualidade da vigilância activa, o desempenho das equipas provinciais e municipais, a capacidade de investigação e gestão de casos suspeitos, bem como a eficácia da resposta rápida e da coordenação intersectorial.
Está prevista a apresentação e actualização do Plano Nacional de Erradicação da Dracunculose para 2026, com definição das prioridades operacionais para o ano. Entre as principais estratégias, estão a distribuição de filtros de água às comunidades, aplicação regular de larvicidas nas fontes hídricas e incentivos para a notificação precoce de casos suspeitos.
A ministra da Saúde sublinhou que a erradicação do Verme da Guiné representará uma conquista histórica para Angola, consolidando a liderança nacional e africana no combate às Doenças Tropicais Negligenciadas e deixando um legado duradouro para as gerações futuras.
“Este é um momento decisivo. Transformar o compromisso político em acções concretas, coordenadas e sustentáveis é a chave para garantir que nenhum angolano volte a sofrer com esta infecção evitável”, concluiu a ministra.








