Ao documentar sistematicamente a tradição oral e os costumes rurais, a iniciativa não só preserva a memória dos antepassados, mas também oferece às novas gerações as ferramentas necessárias para conhecerem e orgulharem-se da sua própria identidade cultural
Entre montanhas, campos agrícolas, musseques e zonas suburbanas, percorrendo as distintas regiões do país, no resgate da Identidade e Tradição Oral no Sul de Angola, quebrando fronteiras e reconectando povos oriundos da mesma matriz étnico-cultural, nasce o projecto “Ovipala”. O termo é originário da língua um bundu que significa “rosto”, “retrato” ou “imagem”.
Num sentido lato, ‘Ovipala’ é um retrato cultural dos povos do Sul e Centro-Sul do país. A iniciativa nasceu da necessidade de reconexão com as raízes rurais, inspirada pelas memórias de infância e pela influência de antepassados que mantiveram viva a cultura do campo mesmo em ambiente urbano.
Em declarações exclusivas ao Jornal OPAÍS, o coordenador do projecto, Cândido Ananás, afirmou que a iniciativa está a dar mostras e resultados para o qual foi concebida, percorrendo as distintas regiões do país, com a missão de resgatar a identidade e a tradição oral dos povos do Sul de Angola.
Embora o foco inicial tenha sido o Centro-Sul de Angola, abrangendo as províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuando e do Cubango, o coordenador referiu que o projecto tem uma visão nacional, estando aberto a explorar os costumes de qualquer região do país.
O também músico, compositor e investigador cultural, destacou o projecto “Ovipala” como uma ponte vital entre o passado e o futuro de Angola, que, ao documentar sistematicamente a tradição oral e os costumes rurais, não só preserva a memória dos antepassados, mas também oferece às novas gerações as ferramentas necessárias para conhecerem e se orgulharem da sua própria identidade cultural.
A música é o ponto de partida, mas a investigação estende-se à gastronomia, ao vestuário típico de cada região, aos provérbios e contos tradicionais, visando criar um “retrato” fiel da alma angolana. O projecto visa preencher um vazio de representação da cultura ancestral, transformando a tradição oral em registos perenes como discos, livros e vídeos.









