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Onda de criminalidade em malanje inspira socorro social

Jornal Opais por Jornal Opais
28 de Fevereiro, 2018
Em Sem Categoria

A onda de crimes, em alta na província de Malanje, torna vulnerável a ordem pública e a segurança dos cidadãos. O modo ‘frio’ como estes são engendrados e praticados tanto contra pessoas como propriedades, requerem uma atenção redobrada e cabal de toda sociedade, porque os órgãos policiais, por si mesmos, demonstram-se incapazes de oferecer uma cobertura integral às ocorrências.

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Mil e 340 crimes de natureza diversa, 653 dos quais contra a propriedade e 558 crimes contra pessoas, foram registados nos últimos quatro meses na província de Malanje, segundo informação prestada pelo director local do Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC), Samuel Ramos Peso, no encontro de auscultação com a sociedade civil realizado recentemente no município sede.

Em consequência desses crimes, as autoridades detiveram 674 cidadãos em igual período. Segundo os dados apresentados pelo oficial, dos delitos praticados contra as pessoas, constam crimes de violações de menores, violações diversas, ofensas corporais e violações domésticas.

Em relação aos crimes de violação de menores, o chefe de Investigação Criminal, disse que do trabalho efectuado pelo SPIC se verificou que, normalmente, tais acções são praticadas por pessoas conhecidas, como vizinhos e familiares. Já os crimes de violência doméstica, são alegadamente provocados por carências sociais, relações extra conjugais, ciúmes, fuga à paternidade e falta de prestação de alimentos aos filhos.

Foram registados ainda 37 casos decorrentes de agressão física, abuso de uma pessoa contra outrem, envolvendo crianças e adultos, quer no relacionamento de âmbito conjugal, assim como, de ambiente familiar ou afim. Segundo Samuel Peso, alguns casos referem-se à crença na feiticismo e à ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, que resultam no cometimento de violações em locais de convívio e em praça pública.

“Geralmente, nos casos que envolvem a crença na feitiçaria, os seus autores recorrem a terapeutas tradicionais e kimbandas, que por sua vez aconselham os mesmos a praticarem relações com as filhas, sobrinhas e netas, a fim de alcançar seus objectivos, tais como, a obtenção de empregos, ascenção profissional, até a hipotéticos benefícios materiais”, apontou.

Menor de sete anos violada pelo pai e o avô Assim, entre as várias ocorrências delituosas, as que mais indignam aos habitantes da terra da Palanca Negra Gigante, são por exemplo: o caso de violação de menor, ocorrida no bairro Azul, em que uma menor de sete anos foi abusada pelo pai e o avô.

Outra violação ocorreu na comuna do Lombe (município de Cacuso), em que o vizinho, adulto, realizava coito anal com uma criança de três anos. Apontou também o caso de uma menina de 13 anos que foi abusava sexualmente pelo padrasto a engravidá- la, ambos residentes no bairro Kanâmbwa. Nos registos da Polícia, consta ainda que um kimbanda, no bairro Kizanga, violou sexualmente uma jovem com problemas de infertilidade, sob promessa da mesma vir a engravidar.

Estes casos, em seu entender, não só espelham a tendência criminal, mas, também, atestam a crise de valores que enfermam as famílias e a sociedade em geral. Em função das sucessivas ocorrências, a sociedade é chamada a interpretar a natureza dos fenómenos à sua volta e contribuir para a sua solução.

Deste modo, o pa-dre Manuel Caueto, abordado sobre o assunto, diz que sociedade está doente, porquanto, não é normal que o avô se envolva com a sua própria neta e, ao mesmo tempo, o pai com a filha. “É necessário que haja responsabilização por actos abusivos à integridade moral, por aqueles que os praticam.

Precisamos de educar as pessoas a olharem para as filhas no real sentido e não como mulheres”, desaprovou. O sacerdote católico acrescenta ainda que os crimes que envolvem parentes próximos são sórdidos e devem merecer, veementemente, a reprovação da sociedade, pois, além de gerarem conflitos e separar as famílias, podem provocar marcas indeléveis na vida das vítimas.

“Esse tipo de actos são condenáveis, quer pela lei civil quer pela lei religiosa, porque desestabilizam as famílias. No entanto, é um mal que desonra a sociedade”, repudiou.

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