“Esse óbito é nosso. É óbito de todos os angolanos”, afirmou o historiador Cornélio Caley, em declarações ao jornal OPAÍS, a partir do exterior do país, ao ser abordado sobre a entrega de centenas de restos mortais das vítimas do “27 de Maio de 1977” aos respectivos familiares, que começam a ser entregues hoje na Centralidade do Kilamba
O coordenador do Grupo Técnico Científico (GTC) da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP) em Angola descreveu o gesto como sendo de elevado simbolismo, tendo em conta que, para as famílias africanas, o óbito só termina com o sepultamento dos restos mortais dos seus ente queridos por ser também a garantia de que a sua alma poderá descansar em paz.
Por estar ausente do país, a fonte manifestou que não estava em condições de abordar as actividades realizadas nos últimos dias, por honestidade intelectual, tendo garantido que se continua a prestar aconselhamento às famílias que pretendam receber os restos mortais de vítimas de conflitos políticos ocorridos no país. Na esperança de obter mais informações sobre esse processo, a nossa equipa de reportagem deslocou-se, na manhã de Terça-feira, ao Cemitério do 14, no Cazenga, onde uma equipa técnica da CIVICOP trabalhava na exumação dos restos mortais das vítimas do 27 de Maio que aí jazem.
Antes mesmo de chegar ao local, que foi vedado com chapas brancas para evitar o olhar de curiosos, os visitantes são abordados por um agente da ordem pública a fim de se identificar e esclarecer o motivo da visita. Para conseguir chegar às ossadas, os técnicos recorreram a uma máquina escavadora que removeu o pavimento da lateral direita do último corredor que faz a divisória entre os espaços reservados para o sepultamento.
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