O relatório Interpol Africa Cyberthreat Assessment Report 2025, tornado público recentemente, revela que Angola registou um aumento de cerca de 7.000 novos registos de suspeitas de burlas online em 2024, face a 2023
Segundo o documento da Organização Internacional de Polícias, este crescimento coloca o país entre os que apresentam a subida mais expressiva de ocorrências no continente, num contexto em que os crimes digitais continuam a expandir-se com a aceleração da transformação tecnológica em África. Isso porque, contrariamente às cerca de duas mil notificações de casos do género, recebidas em 2023, no ano seguinte, essa cifra atingiu as nove mil notificações.
O documento, a que o jornal
OPAÍS teve acesso, explica que a expansão dos serviços de digitalização no continente, incluindo a expansão dos serviços bancários móveis, comércio electrónico e computação em nuvem, aumenta a exposição a ataques informáticos e coloca países como Angola num grupo de nações prioritariamente visadas por actores maliciosos. Indica ainda que as burlas online são actualmente uma das ameaças cibernéticas mais disseminadas em África, com destaque para phishing, esquemas românticos e fraudes através de plataformas digitais.
A sofisticação dos ataques tem aumentado, recorrendo à engenharia social, inteligência artificial e manipulação em redes sociais para explorar vulnerabilidades de cidadãos e empresas. Dados complementares citados no documento apontam que o phishing representa cerca de 34% de todos os incidentes cibernéticos detectados no continente, afectando sectores críticos como banca, telecomunicações, instituições governamentais e comércio electrónico.
Em paralelo, os países africanos reportam também crescimento de crimes como Business Email Compromise (BEC), ransomware e extorsão digital. O estudo sublinha que, entre 2019 e 2025, as perdas financeiras associadas ao cibercrime em África ultrapassaram os 3 mil milhões de dólares, com impacto significativo nas operações empresariais e na confiança digital.
Para Angola, o aumento acentuado das notificações de burlas online reforça a necessidade de investimento em infra-estruturas de cibersegurança, reforço da legislação e promoção da literacia digital, num cenário de expansão dos serviços bancários móveis e do comércio electrónico.
Operação cibernética desmantela redes criminosas
A delegação da Interpol em Angola participou de um grupo de forças policiais de 16 países africanos que efectuaram 651 prisões, entre os quais 25 no território nacional, e recuperaram mais de 4,3 milhões de dólares numa operação internacional de combate a crimes cibernéticos e fraudes online.
A Operação Cartão Vermelho 2.0, que decorreu entre 8 de Dezembro de 2025 a 30 de Janeiro deste ano, teve como alvo a infra-estrutura e os agentes por trás de golpes de investimento de alto rendimento, fraudes com dinheiro móvel e solicitações fraudulentas de empréstimo móvel.
De acordo com uma nota publicada no site da Interpol, durante a operação de oito semanas, as investigações expuseram golpes ligados a perdas financeiras superiores a 45 milhões de dólares e identificaram 1.247 vítimas, predominantemente do continente africano, mas também de outras regiões do mundo.
As autoridades apreenderam ainda 2.341 dispositivos e desativaram 1.442 endereços IP, domínios e servidores maliciosos, bem como outras infra-estruturas relacionadas.
Para o efeito, a Interpol apoiou a operação através do compartilhamento de informações críticas, troca de informações em tempo real e actividades de capacitação, incluindo treinamento em ferramentas de perícia digital.









