A Academia Diplomática Venâncio de Moura, do Ministério das Relações Exteriores, acolheu, nesta terça-feira, 26, uma Conferência Internacional sobre os Acordos de Bicesse.
Entre os participantes destacaram-se o ministro das Relações Exteriores, Téte António, a presidente do Tribunal Constitucional, Laurinda Cardoso, o antigo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, o antigo Primeiro-Ministro, Lopo do Nascimento, a vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, além de deputados, membros do corpo diplomático acreditado em Angola e estudantes universitários.
A conferência ficou marcada pela presença do antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso, uma das figuras centrais no processo negocial que conduziu aos Acordos de Bicesse.
Na sua intervenção, Durão Barroso afirmou que recordar Bicesse, 35 anos depois, representa revisitar uma parte importante da história de Angola, marcada por “ódios, medos, desconfianças e traumas”, mas também pela capacidade de diálogo e construção de consensos em prol de um futuro comum.
Segundo o político português, revisitar os acordos permite igualmente compreender os pilares do actual ambiente político de estabilidade e consolidação democrática que Angola vive.
Por sua vez, o ministro Téte António explicou que a realização da conferência constitui uma homenagem aos vários protagonistas envolvidos nas diferentes etapas do longo processo de busca da paz e da reconciliação nacional.
O chefe da diplomacia angolana sublinhou ainda que Angola retirou importantes lições do seu percurso político interno e assume hoje um papel relevante na mediação e resolução de conflitos em África.
Téte António destacou igualmente que o Presidente da República, João Lourenço, foi designado pela União Africana como Campeão para a Paz e Reconciliação em África, reconhecimento que, segundo disse, resulta do investimento diplomático do Estado angolano na promoção da paz no continente.
Os Acordos de Bicesse foram assinados a 31 de Maio de 1991, em Portugal, entre o Governo angolano e a UNITA, estabelecendo o cessar-fogo e criando as bases para a realização das primeiras eleições multipartidárias em Angola.
O documento foi rubricado pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e pelo líder da UNITA, Jonas Savimbi, com mediação de Portugal e apoio de observadores internacionais, nomeadamente dos Estados Unidos e da então União Soviética.









