A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, manteve uma intensa agenda diplomática à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, marcada por encontros estratégicos com os ministros da Saúde de Portugal e do Brasil.
As reuniões decorreram sob o lema “Reconfigurar a Saúde Global: uma responsabilidade partilhada” e tiveram como foco o reforço da cooperação internacional no sector sanitário.
A governante angolana esteve acompanhada pela embaixadora de Angola acreditada na Suíça, Ana Maria de Oliveira, além de diplomatas da Missão Permanente de Angola e técnicos seniores do Ministério da Saúde.
Os encontros aconteceram após a intervenção de Angola na sessão magna da Assembleia Mundial da Saúde, onde Sílvia Lutucuta defendeu uma nova arquitectura de solidariedade internacional, a diversificação do financiamento dos sistemas nacionais de saúde e o fortalecimento da cooperação global para responder aos actuais desafios sanitários.
Durante a reunião com a ministra da Saúde de Portugal, Ana Paula Martins, foram avaliados os avanços do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS-UIP), apontado como um dos principais instrumentos de cooperação bilateral entre os dois países no sector da saúde.
As conversações centraram-se no reforço da formação especializada de médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, com prioridade para áreas como cirurgia plástica, cuidados intensivos, medicina familiar e tratamento de queimados. As delegações discutiram igualmente mecanismos para acelerar processos técnicos e administrativos relacionados com a mobilidade de profissionais, expansão de estágios especializados e integração de equipas médicas portuguesas em Angola.
Segundo a ministra angolana, o objectivo passa por consolidar um modelo sustentável de formação contínua, permitindo maior permanência de especialistas estrangeiros no país, de forma a garantir transferência efectiva de conhecimento e fortalecimento institucional do sistema nacional de saúde.
Na sequência da agenda bilateral, Sílvia Lutucuta reuniu-se também com o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, para aprofundar a cooperação técnica, científica e académica entre os dois países.
Durante o encontro, a delegação brasileira informou que o Brasil reactivou recentemente a mais antiga unidade de queimados do país, localizada no Rio de Janeiro, actualmente operacional após vários anos de encerramento. O Brasil manifestou disponibilidade imediata para colaborar com Angola na formação especializada e assistência técnica nesta área.
Como resultado das conversações, foi anunciada a realização da Missão Técnica Angola–Brasil, entre 25 de Maio e 3 de Junho de 2026, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde.
A missão contará com representantes da CGE, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), além de especialistas brasileiros e equipas técnicas angolanas.
Ao longo de dez dias, a missão desenvolverá actividades técnicas e institucionais em Luanda, Icolo e Bengo, Huíla, Cunene e Namibe, incluindo visitas hospitalares, avaliações institucionais e sessões de intercâmbio científico.
Entre as unidades sanitárias abrangidas estão o CETEP, o Hospital Bispo Emílio de Carvalho, o Hospital Heróis de Kifangondo, o Hospital Reverendo Pereira Inglês, o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé” e o Hospital Materno Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes.
As duas delegações identificaram como prioridades da nova etapa de cooperação bilateral a formação de médicos especialistas, capacitação de enfermeiros e técnicos de saúde, formação em transplantes, reforço da produção de medicamentos, expansão dos programas de estágio especializado e fortalecimento da formação prática hospitalar.
Angola defendeu ainda a necessidade de inverter progressivamente o actual modelo de formação, privilegiando uma presença mais robusta de especialistas brasileiros em território nacional, em regimes de curta, média e longa duração.









