O Executivo angolano reafirmou, nesta terça-feira, em Genebra, o compromisso com o reforço da soberania sanitária, da liderança nacional na imunização e do fortalecimento dos sistemas de saúde, durante o encontro de alto nível “GAVI Leap in Action”, realizado à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da OMS.
O encontro reuniu ministros da Saúde, representantes governamentais e parceiros internacionais para discutir o futuro da imunização global, os desafios da sustentabilidade financeira e o novo modelo operacional da GAVI – Aliança Global para Vacinas.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, que se encontra em Genebra desde 17 de Maio, participa de uma agenda de encontros de alto nível com líderes globais e parceiros multilaterais, acompanhada por responsáveis do Ministério da Saúde e da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS).
A sessão foi presidida pela presidente do Conselho da GAVI, Helen Clark, que destacou o impacto da vacinação mundial, sublinhando que, desde 2000, a organização contribuiu para proteger mais de 1,2 mil milhões de crianças em todo o mundo.
Um dos pontos centrais do encontro foi a apresentação da reforma “GAVI Leap”, baseada no princípio “Country First”, que coloca os países no centro da definição das prioridades de imunização.
Na ocasião, a directora executiva da GAVI, Dra. Sania, explicou que a reforma pretende simplificar processos, reforçar a liderança nacional, aumentar a flexibilidade financeira e acelerar as respostas a surtos e emergências sanitárias.
Durante a sua intervenção, a ministra da Saúde afirmou que Angola acolhe de forma positiva a nova abordagem da GAVI, por reconhecer o papel central dos Estados na definição das prioridades de saúde pública.
Segundo a governante, a soberania sanitária representa, para Angola, a capacidade de definir políticas nacionais ajustadas à realidade do país, reforçar a liderança do Estado e alinhar os apoios internacionais às estratégias nacionais.
Sílvia Lutucuta informou ainda que Angola aprovou recentemente a Estratégia Nacional de Imunização para os próximos cinco anos, centrada na redução do número de crianças zero-dose e subimunizadas, sobretudo em zonas periurbanas e comunidades de difícil acesso.
Entre as principais prioridades apresentadas pela delegação angolana destacam-se a expansão das brigadas móveis de vacinação, o reforço das acções comunitárias, o fortalecimento da cadeia de frio e da logística, a modernização dos sistemas digitais de vigilância epidemiológica, o reforço da capacidade de resposta a surtos e a integração da vacinação nos cuidados primários de saúde.
A delegação salientou igualmente que entre 25% e 38% das doses administradas no país são aplicadas através de equipas móveis e actividades comunitárias, reflectindo o esforço do Executivo em alcançar as populações mais vulneráveis.
A ministra reafirmou também o compromisso de Angola com o aumento progressivo do financiamento doméstico para a imunização e com a sustentabilidade dos programas nacionais de vacinação.
O encontro abordou ainda o reforço da soberania vacinal africana, numa altura em que o continente continua a enfrentar desafios no acesso equitativo às vacinas.









