Queria muito que reflectissem comigo este texto curto, mas com impacto emocional. Espero que estejam todos bem. Mas por que o título é assim? “Um passo para cada respiração” porque o mundo está às correrias, às pressas, aos pulos.
A corrida da vida parece colocar-nos frequentemente na meta, e muitas vezes não suportamos a carga energética que desgastamos. Corremos demais quando acreditamos que os outros estão em vantagem em relação a nós.
Ficamos apreensivos quando nos julgamos inferiores aos outros. Olhamos à nossa volta e percebemos que o motoqueiro tem pressa, o médico tem pressa, o professor tem pressa, a vendedora tem pressa, o governante tem pressa, etc. Por que, então, essa necessidade da pressa?
No estoicismo diz-se memento mori (lembra-te da morte), o que quer dizer que, não importa o quão rápido tendamos a correr, nalgum momento do tempo iremos parar. Então, aprecia a caminhada e evita correr para algo que possivelmente só te vai desgastar mais energia.
Ainda sobre os estoicos, fala-se em amor fati, o que pressupõe pouco apego às coisas, mas responsabilidade pelas tuas acções e pela sua repercussão na vida dos outros; sem se esquecer da frase célebre: não importa os esforços que empenhas, nunca vais ter controlo de tudo.
O arqueiro pode apontar para a presa, mas, antes de atirar a flecha, não tem controlo sobre o vento que pode atrapalhar ou sobre o movimento da presa. Assim, a forma como os outros se comportam contigo não é o essencial; o mais importante são as tuas reacções a esses comportamentos.
Portanto, quero fechar este texto com uma citação bíblica: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Evangelho de Mateus 6:34).
Desta feita, dizer que a pressa é boa nalguns momentos, mas melhor é a caminhada tranquila, o apreciar dos passos, o vislumbre dos momentos, os detalhes da luta.
Como dizia alguém, mais importante do que ter vencido é a lembrança de todos os momentos que vivemos durante a luta para o alcance dos nossos objectivos. Olha para ti, entende os outros sem demasiados julgamentos, aceita que nem tudo depende de ti, mas aquilo que depender de ti, faz — mas com calma, conforme o teu coração aguenta: um passo para cada respiração!
Por: GABRIEL TOMÁS CHINANGA








