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Um olhar na preservação da memória do antropónimo Lu Wanda, Loanda vs Lhoanda (Luanda)

Jornal OPaís por Jornal OPaís
27 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Luanda é a capital e a maior cidade de Angola, localizada na costa do Oceano Atlântico e tem um dos principais por tos e centros económicos do país. Constitui um município subdividido em comunas, bairros e zonas, e é, também a capital da província homónima. A cidade foi fundada a 25 de janeiro de 1576 pelo fidalgo Pau lo Dias de Novais, sob o nome de “São Paulo de Assunção de Loanda”.

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Era uma cidade colonial portuguesa, com uma administração diferente da actual uma arquitetura, serviços administrativos, centros comerciais e com uma cultura com reflexos à influência europeia.

A sua população encontrava-se diversificada entre português, angolanos, cabo-verdianos, guineenses, moçambicanos, santomense e outros*. *Na altura, Angola e outras colónias africanas pertenciam a Portugal como “províncias ultramarinas”.

A estrutura urbana organizava-se numa cidade segregada, com bairros europeus e africanos separados. Destacava-se a Cidade Alta, onde se localizavam os edifícios governamentais e as residências de alto padrão construção da época.

Com o passar do tempo, e ao longo de mais de 450 anos, a cidade sofreu várias transformações, tanto a nível administrativo como territorial e urbanístico. Estas mudanças incluíram, entre outros aspectos, a alteração do nome da cidade, as transformações na sua organização administrativa e o crescimento populacional.

Durante este período, Luanda integrou diferentes fases históricas, desde a expansão colonial até à sua afirmação como capital da província ultramarina de Portugal e, posteriormente, como capital de Angola partir do dia 11 de Novembro de 1975. Por outro lado, notaram-se vá rios testemunhos orais e ou escritos, e uma série de condições relativas à atribuição de nomes na referida região (cidade), antes da chegada e estabelecimento dos portugueses neste território, a cidade já existia.

E consigo os autóctones, prova velmentetiveram a necessidade de atribuir o nome “ Lu Wanda” aos filhos, depois a um lugar conforme as circunstâncias.

Étimo logicamente “Lu Wanda”, foi uma frase ou slogan usado para apelar a ordem e segurança do local, (praias da ilha de Luanda), que era o oráculo do Reino do Kongo, onde se recolhia o Njimbu/ Nzimbu (búzios que era a moeda na altura) e servia vários Estados do Reino do Kongo. Ou seja, antes de Lu wanda se tornar um topónimo, a palavra / frase ou mesmo o nome já existia.

Os nomes BANTU em geral e em particular angolanos, na sua atribuição reflecte, ou melhor, está, na maior parte das vezes, ligado a um acontecimento histórico concreto, ou a uma determinada circunstância histórica vivida, seja pelo próprio indivíduo ou família, seja pela comunidade ou sociedade em geral.

No sentido político-antropológico, cidade quer dizer, lugar onde vive o soberano e o conselho da corte. A grafia dos topónimos e antro pónimos passou por várias mutações, reflectidas em diferentes fases históricas.

Em primeiro lugar, nas transcrições dos escritos desde a sua fundação até à sua grafia própria, isto é, desde a vigência da Resolução n.º 3/87, de 23 de maio de 1987, publicado em Diário da República, do Conselho de Defesa e Segurrança que aprovou os alfabetos das línguas nacionais, resultantes do trabalho do Instituto de Línguas Nacionais, no quadro do Projecto ANG/77/009/C01/13.

Desse modo, nas nossas averiguações deparemos que Loanda vs Luanda, existem três conversões quanto à sua forma de escrita e à pronúncia da palavra.

A primeira possibilidade diz nos que LOANDA terá sido enten dida e escrita pela colónia portu guesa, razão pela qual foi-lhe de nominada como cidade da então província ultramarina de Portugal.

Entretanto, a segunda forma foi escrita por comerciantes holandeses como LHOANDA*, a partir da ocupação das forças holandesas no ano de 1641, situação que se prolongou até ao mês de agosto de 1648, após a reconquista da cidade pela colónia portuguesa, por meio do capitão Salvador Correia de Sá e Benevides. *- A palavra LHOANDA, presume-se que a sua forma de escrita aglutinando o grafema (H) foi no sentido de aproximar a palavra HOLANDA, uma vez que, as mesmas partilham do mesmo sufixo “ANDA”.

Ex.•LOANDA
•LHOANDA
•HOLANDA
Já a terceira forma que é a actual, LUANDA, remonta provavelmente a partir da reconquista da cidade. Portanto, a forma viável da escrita nos remete a luz da grafia em uso no nosso país, refere-se à Resolução n° 3/87.

O termo LU WAN DA, deriva do kikongo/ kimbun du e encontra-se aglutinando com a partícula do pronome pessoal da segunda pessoa do plural LU o que significa LHE /NO, ligada à palavra -mãe WANDA que se traduz em bater. Ex. LU WANDA que dizer, (batem-lhe ou batem-no) de acordo com a sua epistemologia, “provavelmente devido à proibição de entrada de pessoas estranhas nas praias da ilha de Lu wanda. Luanda, foi uma cidade colonial portuguesa, que ao longo dos Séculos, se transformou e se reinventou, tornando-se um centro político, cultural e económico importante.

É uma cidade que respira história, memória e interculturalidade com cidades angolanas, africanas e de outros continentes. Comemorar os 450 anos é um mo mento para refletir sobre o passado e olhar “na preservação da memória” para o futuro com esperança e compromisso desta cidade capital e não só, que é minha, tua e nossa.

Por: ISAÍAS DE LEMOS

Antropólogo

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