A minha primeira viagem ao exterior aconteceu há mais de duas décadas. Foi, inicialmente, em África. E uma das coisas que me marcaram foi o facto de os cidadãos deste país africano se terem disponibilizado, desde o primeiro momento, a mostrarem as maravilhas que possuem, uma actividade que ainda fazem com muito prazer a todos os estrangeiros que se deslocam a este país.
Por incrível que pareça, num primeiro momento, depois de percorrer parte da cidade, alguns restaurantes e pontos turísticos, sempre tive a convicção de que em Angola possuíamos muito mais. E a grande frustração era saber por que não éramos tão visitados e o número de turistas que aqui aportavam continuava insignificante.
Inicialmente, a guerra fratricida entre angolanos havia destruído parte significativa das suas infra-estruturas, como estradas, pontes, escolas, hotéis. Num confronto em que nem mesmo os animais foram poupados, muitos deles preferindo os solos namibianos, tswanes, zambianos e congoleses para não serem igualmente vítimas, além das vidas humanas cujas cifras ainda hoje são incontáveis.
Posteriormente, como um dia aconselhou um empresário chinês em Fujian, onde visitávamos uma fábrica de autocarros, hoje utilizados por muitas empresas de transportes públicos, era preciso ‘abrir o país’. O sentimento que muitos angolanos nutriam em relação a muitos países como sendo difíceis de obter um visto era, até pouco tempo, o que muitos cidadãos estrangeiros também tinham de Angola, como, por exemplo, o investidor chinês.
Quando, recentemente, as autoridades angolanas, através do Presidente da República, João Lourenço, decidiram retirar a obrigatoriedade de apresentação de vistos para a entrada em Angola por parte de muitos países, houve muitos receios, incluindo quem até tivesse concluído que o país se fosse transformar num feudo de más práticas, até terroristas.
Na verdade, o gesto, político e diplomático, era uma das vias para se atrair mais cidadãos do mundo para Angola, que ainda hoje luta para contornar a forte dependência que se tem do petróleo. A diversificação da economia, com o turismo, a indústria da paz, sempre foi uma das maiores opções devido às condições naturais e outras que o país pode oferecer aos turistas que cá estiverem.
Ontem, durante o Conselho Consultivo do Ministério do Turismo, ficou-se a saber que Angola consta, neste momento, entre os países que mais viram crescer o sector no continente africano, registando um crescimento de mais de 30 por cento, representando já 1,4 por cento do PIB. Em cada mil turistas adicionais em 2025, o ministro do Turismo, Márcio Daniel, garantiu que foram criados vários postos de trabalho.
Se comparado ao ano de 2022, como frisou o ministro de Estado para Coordenação Económica, José de Lima Massano, o crescimento é de quase 60 por cento. Os indicadores apontam que as perspectivas para o sector até 2050, traçadas pelo Executivo, podem ser alcançadas muito antes, devido ao forte crescimento, com base em dados também fornecidos por instituições internacionais, incluindo uma das organizações ligadas às Nações Unidas.
Mais do que uma aposta do Executivo angolano, o crescimento do turismo, que vai representar mais postos de trabalho a nível da restauração, hotelaria, turismo de negócios, guias turísticos e outros empregos indirectos, deve ser promovido por cada cidadão.
É assim noutras partes do mundo, em que até mesmo as favelas, como Brasil, ou o Soweto, na África do Sul, são pontos muito procurados por conta das suas histórias e gentes. E Angola, as suas vilas, gentes e riquezas naturais têm muito por contar e compartilhar.









