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Relva do Vici António em alerta

Mário Silva por Mário Silva
18 de Agosto, 2026
Em Opinião

Em conversa com um amigo, apesar de ele ser adepto ferrenho do 1º de Agosto, louvámos a iniciativa FAF de levar a disputa da Supertaça para o Estádio Nacional Vici António, nas imediações da Centralidade do Kilomosso, na província do Uíge. A iniciativa merece, mais uma vez, os meus aplausos.

Os amantes do desporto-rei nas terras do Bago Vermelho tiveram a oportunidade de testemunhar, no Domingo, um excelente jogo, que culminou com a vi- tória, por 1-0, do Petro de Luanda diante do Wiliete de Benguela. Com este triunfo, os tricolores conquistaram o décimo troféu que abriu a temporada futebolística 2026/2027, graças ao golo solitário de Ivan Cavaleiro, jogador formado no Sport Lisboa e Benfica, de 32 anos. Foi uma verdadeira festa da bola, dentro e fora do campo.

O espectá- culo também beneficiou o sector hoteleiro, uma vez que as duas melhores equipas da actualidade arrastaram muitos adeptos, que se alo- jaram em residenciais e outras unidades hoteleiras. Tendo em conta a lotação total do estádio, que tem capacidade para dez mil espectadores, acredito que a FAF também tenha arrecadado uma boa receita com a venda de bilhetes. Afinal, futebol também é negócio, como acontece em outras realidades.

Até aqui tudo bem. Contudo, enquanto decorria o jogo e as “estrelas” desfilavam o perfume da bola, um aspecto chamou-me a atenção pela negativa: o estado da relva do Estádio Nacional Vici António. Em algumas zonas do recinto já eram visíveis clareiras, situação preocupante para uma infra-estrutura inaugurada pelo ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, no dia 03 de Novembro de 2025.

Para evitar que o Vici António tenha o mesmo triste destino do Estádio Nacional do Chiazi, em Cabinda, palco de uma das séries do CAN 2010 e que hoje se encontra praticamente ao abandono, é imperioso encontrar uma solução séria e sustentável para a gestão deste e de outros equipamentos desportivos do país.

Por exemplo, aquando da inauguração do Estádio Nacional Vici António, o ministro da Juventude e Desportos anunciou que o gestor do recinto seria escolhido por via de concurso público. O certo é que, até ao momento, “nem água vai, nem água vem”, ou seja, continua a ser o próprio MINJUD a assegurar a gestão do estádio.

Ora bem, uma infra-estrutura desta dimensão não pode ficar dependente apenas da gestão directa do Estado. A experiência mostra que a manutenção permanente de equipamentos desportivos exige conhecimento técnico, capacidade de gestão e recursos financeiros próprios. Hoje é a relva que carece de atenção redobrada. Amanhã poderá ser o elevador, o sistema eléctrico, os balneários ou qualquer outro equipamento.

E quando os problemas se acumularem, o Governo terá novamente de disponibilizar milhões de kwanzas para recuperar uma infra-estrutura que deveria estar a gerar receitas e a funcionar em pleno. Importa recordar que esse dinheiro também é necessário para sectores como a Saúde e a Educação, que enfrentam enormes necessidades no nosso país. Por isso, a entrega da gestão do Vici António e outros recintos desportivos a uma entidade privada, mediante um concurso público transparente e com responsabilidades claramente definidas, poderia ser uma alternativa a considerar.

O Estado devia manter a função de fiscalização e garantiria que o recinto continuasse ao serviço do interesse público, enquanto o gestor teria a obrigação de assegurar a manutenção, conservação e exploração comercial. Não basta construir vários estádios e pavilhões. É necessário garantir que continuem funcionais, bonitos e operacionais muitos anos depois das cerimónias de inauguração.

O Vici António ainda está a tempo de evitar um destino semelhante ao de outras infra-estruturas desportivas que se degradaram por falta de manutenção e de uma gestão eficiente. Que o alerta sobre a relva sirva para despertar consciências. Cuidar hoje é muito mais barato do que reconstruir amanhã, meus senhores. Jornalista

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