Chumbei quatro anos seguidos em cursos diferentes, quando estava na correria pelo ingresso no ensino superior. Uma das tentativas foi na Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no curso de Direito; as outras trêsforamnoISCED-Huíla,naespe- cialidade de Ensino da Língua Portuguesa.
Durante essas fases, em cada ano em que batia na rocha, apostava em cursos técnico-profissionais, cuja duração era de um ano, na área da mecanização. Isso fez com que, em 2017, depois de longos quatro anos de desespero, o meu ingresso não constituísse surpresa nenhuma para mim.
Aliás, lembro-me de que, nesse mesmo ano, aquando da minha inscrição, ao entregar o Bilhete de Identidade, a senhora que me atendeu — que já o havia feito na minhaprimeiratentativa,em2014— apercebeu-se, diante do computador, de que o sistema já registava o meu nome, como se eu já tivesse ingressado em algum momento e desistido. Admirada, perguntou-me: — Xé! Gabriel, vejo o teu nome registado aqui sem teres feito ainda a tua candidatura. Respondi-lhe,descontraidamente: —Somosveteranosepré-finalistas em tentativas.
Sorri, sarcasticamente, de seguida. Ela olhou para mim com um certo desconforto, pois, independentemente das energias motivadoras que eu demonstrava, o meu com- portamento denunciava-me, e ela apercebeu-se de que eu não estava tão bem quanto aparentava. Diante disso, adiantou, encorajando-me: —Esteanoacadémicoseráteu.
Vais bater esse mambo, Gabriel. Fingi que não tinha tanto interesse nisso, pelo facto de já ter sido desiludido durante quase cinco anos. Entretanto, em casa, sozinho, fiquei a ponderar sobre o que ela me dissera. Foi então que entendi que a minha sobrevivência dependia do sonho de ser professor. Recordo-me de que faltavam apenas três semanas para os exames. Eu era um rapaz proveniente da Escola Secundária do Nambambi e iria concorrer com os miúdos do INME, na especialidade de Português e EMC.
Contudo, ainda assim, mantive a calma e a confiança; não propriamente a confiança de entrar, mas aquela do “tanto faz”, porquanto já sabia o que faria se não conseguisse ingressar. Fiz um plano básico de leitura e de estudos. Tinha de sair do trabalho duas horas mais cedo e reservava os domingos exclusivamente para aperfeiçoar algumas noções básicas de gramática normativa, embora, nessa fase, fosse muito leigo em questões linguísticas em geral.
No dia do exame, não sei dizer se fiz bem ou não; apenas sabia que respondera a algumas questões, e pronto. Uma semana depois, saíram os resultados da prova escrita, e obtive a nota de 8 valores. Fui submetido ao exame oral e, no final das contas, obtive uma média aritmética de 8,75valores.Felizmente,naquela fase,essaclassificação,emboranegativa, permitia o ingresso e, em 2017, consegui entrar no ISCED-Huíla. Os anos seguintes, portanto, tiveram as suas próprias histórias, quer alegres, quer tristes. A vida é mesmo assim. O segredo é apenas não desistir, não importam as vicissitudes da vida.
POR: GABRIEL TOMÁS CHINANGA





