OPaís
Ouça Rádio+
Sáb, 18 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Prisioneiros de RAP GANG”: Uma leitura da vida moderna à luz da letra

Jornal OPaís por Jornal OPaís
13 de Junho, 2025
Em Opinião

A letra apresentada, na música do rapper angolano Rap Gang intitulado “P r i sionei ro s”, ainda que breve, é carregada de uma densidade poética e filosófica marcante.

Poderão também interessar-lhe...

Caso “terrorismo”: arguido Lev afirma que encontro com Higino Carneiro era para apoiar projecto cultural

Benguela, esperança e sentido de Estado

O poder já mudou de lugar — e África ainda está a olhar para o mapa errado

Ao afirmar que “todos somos prisioneiros”, o eu lírico rompe com a ideia convencional de liberdade e propõe uma visão desencantada, porém lúcida, da vida contemporânea. Não se trata apenas de uma metáfora: trata-se de um diagnóstico social e existencial.

A prisão a que se refere a música não é física — não é a cadeia, o manicómio ou a escravidão tradicional —, mas sim uma prisão subjectiva, silenciosa, institucionalizada.

Ela se manifesta nos detalhes mais corriqueiros da vida, nos contractos de trabalho exaustivos, nos casamentos sem afecto, nos compromissos assumidos por obrigação, e não por desejo, na rotina que anestesia o espírito.

É o que o filósofo francês Michel Foucault já sugeria ao falar das instituições disciplinares modernas, como escolas, hospitais, prisões e fábricas.” Elas moldam o comportamento e criam uma subjectividade prisioneira, mesmo fora das grades” (Foucault, “Vigiar e Punir”, 1975).

Quando o eu lírico afirma que “o mundo já está a sair letras”, ele parece expressar um esgotamento simbólico, onde as palavras perderam o poder de comunicar, a linguagem deixou de ser ponte e tornou-se ruído, a expressão virou ruído branco, ruído emocional e ninguém mais escuta.

Vivemos numa época marcada por excesso de informação e carência de sentido. As redes sociais, a mídia e a hiperconexão não ampliam a escuta, mas saturam a mente. Nesse contexto, falar e gritar é inútil: “ninguém ouve”.

Outro ponto marcante é a noção de que “você não está livre nem quando morre”. Aqui se manifesta uma visão fatalista e profundamente niilista, em que a morte não é libertação, mas apenas uma transição dentro de um sistema que suga o ser até o fim.

Até os bons estão “lixados” (desgastados), há quem tem dinheiro, mas vive hipotecado o mesmo que dizer, não importa o status, todos estão presos em alguma dimensão da vida.

Essa é uma crítica directa à estrutura socioeconómica neoliberal, onde até quem tem privilégios também carrega grilhões, talvez mais sutis, porém igualmente paralisantes.

A letra também apresenta uma ambiguidade importante: “tem quem durma na rua / tem quem durma em cama / mas todos sofrem”. O sofrimento, portanto, é universal, mas não igualitário, pois aquele que vive nas ruas sofre com a ausência de abrigo e dignidade, mas aquele que dorme numa cama confortável sofre com o vazio, a solidão, a angústia silenciosa.

Essa visão aproxima-se da análise de Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, que escreve sobre a sociedade do cansaço “uma era em que as pessoas são pressionadas à produtividade, à felicidade performática, à constante auto-exploração e até colapsarem” (Han, “A Sociedade do Cansaço”, 2010) Em última instância, a música é um grito por sentido, um apelo por empatia e reconhecimento.

A repetição de que ninguém escuta, de que a advocacia (a busca por justiça) “não é bebida”, revela o desespero de uma voz ignorada. Como nos lembra Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”. E nessa cadeia social, ninguém está verdadeiramente livre.

Bem-haja!

Por: REIS ADRIANO SIMÃO

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Caso “terrorismo”: arguido Lev afirma que encontro com Higino Carneiro era para apoiar projecto cultural

por Jornal OPaís
17 de Abril, 2026
Foto de: CARLOS AUGUSTO

Lev Lakshtanov, um dos russos arrolados no caso “terrorismo”, foi o primeiro dos arguidos a ser ouvido em audiência, depois...

Ler maisDetails

Benguela, esperança e sentido de Estado

por Jornal OPaís
17 de Abril, 2026

A deslocação do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na quarta-feira, última, à província de Benguela trouxe consigo um...

Ler maisDetails

O poder já mudou de lugar — e África ainda está a olhar para o mapa errado

por Jornal OPaís
17 de Abril, 2026

Há momentos na história em que o mundo muda sem fazer barulho. Como o rio Kwanza, que parece tranquilo à...

Ler maisDetails

O Campeonato da Credibilidade Informativa

por Jornal OPaís
17 de Abril, 2026

Dizem que o jornalismo desportivo é a melhor profissão do mundo para trabalhar. E, sejamos honestos, não estão totalmente errados:...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

Mais de 30 pastores de outras igrejas vão participar na missa presidida pelo Papana Lunda Sul

18 de Abril, 2026

Mil e 400 escuteiros mobilizados para a missa papal na Lunda Sul

18 de Abril, 2026

Obras do espaço que vai acolher missa do Papa na Lunda Sul orçado em 200 milhões de kwanzas

18 de Abril, 2026

Presidente da República e Papa acabam de chegar ao salão protocolar

18 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.