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OPAÍS

O padrão do tecido samakaka num contexto castrense

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
26 de Maio, 2025
Em Opinião

A 26.ª Reunião de Chefes de Estado-Maior General das Forças Armadas dos Países da CPLP, realizada em Cabo Ledo, Angola, nos dias 20 e 21 de Maio de 2025, foi uma celebração não apenas de cooperação estratégica, mas também de identidade cultural.

Durante o evento, o uso do padrão Samakaka em materiais de divulgação, brindes e logótipos destacou a riqueza cultural de Angola, promovendo uma fusão única entre tradição e modernidade.

Samakaka é um tecido emblemático de Angola mais precisamente dos povos da região da província da Huíla, vem do termo Omakaka, que significa a verdura ou folhas de plantas rastejantes e trepadeiras, derivadas de sementes como o caso da planta da abóbora, das variedades de feijoeiro e da matila, que depois de fervidas, são postos no processo de dissecação.

Samakaka transcende a sua função estética para se tornar um símbolo de identidade cultural e unidade nacional. Com padrões geométricos vibrantes e significativos, este tecido não apenas embeleza, mas também carrega consigo a história e a alma do povo angolano.

Embora o ambiente militar seja frequentemente associado a conflitos e ao belicismo, em Angola assume um papel transformador: o de guardião da Paz. A Paz, conquistada com tanto sacrifício pelo povo angolano, é um bem inestimável que o país preserva com orgulho, servindo como exemplo inspirador para África e para o mundo.

Incorporar o Samakaka neste contexto é uma celebração da cultura como força unificadora, lembrando que a verdadeira vitória está na harmonia e no respeito mútuo.

Além disso, o Ministério da Cultura de Angola está a trabalhar para que o Samakaka seja reconhecido como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO. Este reconhecimento não apenas elevará o tecido a um patamar global, mas também reforçará a importância de preservar e valorizar as tradições ancestrais que moldam a identidade da nossa Nação.

Contamos com o apoio dos ilustres Países parceiros da CPLP para, junto das suas respectivas representações diplomáticas e culturais na UNESCO, votarem a favor desta candidatura, fortalecendo este movimento de valorização cultural que reflecte a união destes países unidos pela mesma língua e pela manutenção da Paz.

A fusão entre a cultura e o sector militar, como exemplificado pelo uso do Samakaka, é uma demonstração de que a força não reside apenas em armas, mas também na capacidade de um povo de honrar e proteger a sua herança.

As Forças Armadas Angolanas, ao unir estas dimensões, enviam uma mensagem poderosa: a cultura em todas as suas facetas são armas pacíficas que constroem pontes, promovem o entendimento e celebram a diversidade. Que o Samakaka e todos os elementos culturais dos nossos países continuem a ser emblemas de paz e inspiração para as gerações futuras.

Por: ALBERTO KIZUA

*Tenente General

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