Sábado foi, para muitas escolas privadas, dia de reunião de pais. Aquele momento em que as cadeiras parecem mais duras, o relógio anda mais devagar e o coração vai sempre um pouco à frente da razão. Apresentação dos resultados do primeiro trimestre. Conversas sérias, olhares atentos, expectativas no ar.
Em turmas heterogéneas, como é natural, os resultados também variam. Há quem confirme aquilo que já se esperava, há quem surpreenda pela positiva e há quem traga preocupações para casa. No meio disso tudo, começa a ganhar força um tema que se repete quase como um refrão: os exames nacionais.
Este ano já não são “apenas para ver como funciona”. Este ano contam. Decidem. Pesam. E é curioso perceber como o discurso à volta deles tende a ser mais de medo do que de processo. Fala-se do exame como um monstro à porta, e não como uma etapa natural de um caminho que vem sendo construído.
Quando uma instituição, uma família ou uma pessoa olha para um momento apenas como algo a temer, o corpo entra em alerta, a mente fecha e a aprendizagem encolhe. O medo paralisa mais do que prepara. A pressão excessiva raramente gera bons resultados sustentáveis.
Os miúdos sentem. Sentem o peso das expectativas não ditas, sentem o nervosismo dos adultos, sentem quando o amor parece condicionado ao desempenho. E muitos dos medos que carregam nem são deles, são herdados. São projectados.
O mais interessante é que, quando olhamos para trás, percebemos uma coisa simples e quase desconcertante. Muitas das grandes preocupações de hoje, vistas com a distância do tempo, quase não existem.
Aquilo que parecia decisivo afinal foi apenas formativo. Aquilo que parecia o fim revelouse só uma curva no caminho. Isso não significa desvalorizar o esforço, o estudo ou a responsabilidade. Significa mudar a lente. Falar mais de preparação do que de ameaça. De processo em vez de pânico.
De crescimento e não apenas de resultado. Na vida, não são poucos os “momentos mais temidos” que enfrentamos. Reuniões, exames, decisões, conversas difíceis. A forma como nos aproximamos deles diz muito sobre quem nos estamos a tornar.
Quando mudamos o discurso, mudamos também a experiência. Talvez o maior presente que podemos dar aos nossos filhos, aos nossos alunos e até a nós próprios seja ensinar que desafios não são inimigos. São mestres disfarçados.
Por: LÍDIO CÂNDIDO (VALDY)
N’GASSAKIDILA.









