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O alcance do ensino do português: entre o democrático e o preconceituoso (parte II)

Jornal OPaís por Jornal OPaís
6 de Abril, 2026
Em Opinião

Do grego “demos povo, Kratia-poder, assim, democracia é um sistema político no qual se requer a participação activa do povo, pois, no âmbito da sala de aula, ela visa um ensino que promove e defende os direitos humanos: a vida, a paz, a liberdade e a justiça. Em regra, há preconceito linguístico quando alguém acha a sua fala melhor que a dos outros, repudiando torto à direita o linguajar diferente do seu, agredindo verbalmente o falar de outra pessoa.

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No contexto de ensino, o preconceito linguístico ocorre entre professores e alunos, ou, somente, entre alunos. Situação que eleva o ego, a com petição cega, a vaidade do falar gramático-pedantismo. Porém, afastam-se do verdadeiro ensino-aprendizagem da língua e do precioso convívio entre falantes no espaço de ensino.

Neste sentido, é curial, ainda, que o professor consiga estabelecer uma relação de proximidade entre a língua falada e escrita, afim de que os alunos entendam que falar por ex.:/bonito/é normal para um falante nativo do Huambo, por conta da influência causada pela Língua Umbundu Bantu, em que todas as vogais têm a pronúncia aberta, diferente do Português em que algumas vogais podem ser pronuncia das como semivogais, tal como:/ modelo/, (mudelu).

Entretanto, na escrita deve-se ser rigoroso e escreve-se tal como ordena a ortografia, aponto de se desfazerem as ambiguidades, isto é, promove-se um ensino de línguas mais democrático, com a valorização das varie dades linguísticas, tendo como ponto de partida, o princípio segundo a qual, toda língua mu da rapidamente, tão logo mu dar de pátria, adaptando-se as situações locais em referências.

Em função disso, afigura-se a importância capital de o professor conhecer e dar a conhecer aos alunos os fenómenos linguísticos, tratados assistemática, ametódica e de modo não científico como erros, tais como: Rotacismo, fenómeno de mutação fonética que consiste na troca de /l/ por /r/, qualquer>quarquer;

Lambdacismo, fenómeno inverso ao rotacismo, consiste em trocar o /r/ por /l/, corpo>colpo; Monotongação, fenómeno de assimilação que transubstancia dois sons diferentes, mas com algum parentesco, tornam-se iguais, também>também; peixe>pexe; pouco>poco; caixa>caxa.
Existem ainda outros fenómenos como: a metafonia, anomia, paragoge, síncope, apócope, etc.

Em conformidade com o acima exposto, é muito perigoso destratar o aluno por conta de não proferir uma palavra tal como o professor ou os demais colegas gostariam que a pronunciasse.

É, de facto, um crime pedagógico perder tempo de aulas com a memorização de regras gramaticais, de forma descontextualiza da, quando existem tantas coisas interessantes sobre a língua que devem ser ensinadas, como: I. estratégia de compreensão de leitura, II. Organização textual, III. Argumentação, IV. Nível de formalidade na fala e na escrita, V. Turno de fala, VI. Saber escutar, VII. Relação com o texto utilitário, entre outros.

Assim a ser, o professor deve ser o primeiro a depreender que o papel da escola é ensinar a língua padrão, em suas modalidades oral e escrita, sem, portanto, anular a essência comunicativa do aluno, nem mesmo, discriminá-lo e excluí-lo do espaço de aprendizagem linguística, tampouco supervalorizar a língua escrita em detrimento da língua falada, porém deve dar-lhes o mesmo impacto e importância.

Efectivamente, de acordo com Jean Aitchison, são duas as principais causas do Preconceito Linguístico promovido pelo professor, em sala de aula: 1. Desconhecimento da sociolinguística como ciência; 2. Conhecendo a sociolinguística, faz descaso dela.

Enquanto que as consequências são várias, dentre elas: O calar do aluno para sempre; fugir dos colegas ou professores preconceituosos; tornar-se aluno verbalmente in tolerante, agressivo, chegando a optar pelo abandono escolar ou, em casos extremos, suicidar-se, infelizmente.

Em gesto conclusivo e sugestivo, recorda-se que o Preconceito Linguístico é um problema actual, local, regional e global com consequências graves para os falantes de qualquer língua viva. Assim, fica claro que o problema do Ensino da Língua Portuguesa tem a ver com o “modo” como se ensina o português e “naquilo” que é ensinado sob rótulo de Língua Portuguesa.

Diante desta realidade, é mister haver mudanças tanto nos alunos, nos professores e na comunidade linguística. Em vez de o professor repetir os conteúdos, deve reflectir sobre os mesmos, em vez de “reproduzir” os conteúdos, deve “produzi-los”, olhando para a realidade linguística dos alunos, envolvendo-os com textos vivos e prazerosos tanto falados como escritos, a fim de se promover um ensino de língua mais contextualizado, interessante e democrático.

Por: ELISEU JORGE

Professor de Língua Portuguesa

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