EMPEMA-ENSA BANCO BAI SOCIJORNAL SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 25 Jun 2026
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Não se pode falar do mundo do trabalho em Angola sem abordar um tema delicado — mas profundamente urgente — que mina, de forma silenciosa, as estruturas das organizações públicas e privadas: o nepotismo

Jornal OPaís por Jornal OPaís
30 de Maio, 2025
Em Opinião

Esta prática manifesta-se quando as contratações e promoções são feitas com base em laços familiares ou de amizade, em detrimento do mérito, da competência ou da experiência.

Poderão também interessar-lhe...

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

O que te ensinaram a chamar amor?

A dignidade da mulher e a estabilidade familiar: a limitação ao divórcio durante a gravidez no Direito angolano

As consequências são sérias: as empresas adoecem, a eficiência operacional reduz-se drasticamente, as equipas desmotivam-se e o ambiente de trabalho degrada-se, contaminado pela desconfiança e pela ausência de justiça interna. Mas os danos não se limitam ao clima organizacional.

O apadrinhamento abre caminho ao desvio de recursos, à fraude financeira, ao pagamento de subornos e ao tráfico de influência — criando um terreno fértil para a corrupção sistémica.

Dados que não deixam dúvidas

A gravidade deste fenómeno ficou patente no Fraud Survey Angola, estudo realizado pela Deloitte em 2020. O inquérito revelou que 69% das empresas angolanas identificaram os quadros médios e superiores como principais responsáveis por actos de fraude corporativa.

Entre os ilícitos mais frequentes, destacam-se a corrupção (59%), o desvio de fundos (53%) e o tráfico de influências (52%). Os prejuízos são igualmente alarmantes: danos reputacionais (46%), perdas financeiras directas (38%) e perda de oportunidades de negócio (33%).

Estes números demonstram que o nepotismo não é apenas uma questão ética ou moral — é uma ameaça real à sustentabilidade das organizações. Combater o apadrinhamento é essencial para construirmos instituições mais justas, profissionalizadas e competitivas, capazes de funcionar com transparência e responsabilidade.

Uma realidade que não se restringe ao estado

Importa sublinhar que o nepotismo não é exclusivo do sector público. Está também presente no sector privado, onde provoca prejuízos incalculáveis. As consequências passam pela perda de competitividade, pela desmotivação dos trabalhadores, pela desconfiança dos investidores e pelo desgaste da reputação das marcas.

As empresas que seguem princípios éticos tendem a atrair mais investimento, melhores profissionais e garantem sustentabilidade a longo prazo. Por isso, combater a corrupção no sector privado é tão importante quanto no público.

Singapura: um exemplo de mudança e integridade

Um exemplo inspirador é o de Singapura, país que, nas décadas de 1960 e 1970, enfrentava desafios semelhantes aos de muitos países africanos — corrupção endémica, nepotismo no sector público e desconfiança generalizada.

A mudança começou com reformas profundas. O governo colocou o combate à corrupção no centro da estratégia de desenvolvimento nacional. Foram implementadas medidas rigorosas de transparência, meritocracia no serviço público, remunerações competitivas para cargos de liderança e punições exemplares para os infractores.

Hoje, Singapura é reconhecida como uma das economias mais eficientes e transparentes do mundo. O seu percurso demonstra que é possível transformar um país de forma positiva e estrutural — e Angola pode, certamente, trilhar esse caminho.

Por uma Angola mais justa e oportuna

Angola procura afirmar-se como uma referência em África — um país aberto ao investimento, onde as oportunidades de criação de negócios e de progresso profissional estejam ao alcance de todos. Pelo menos, esse é o sonho da maioria dos angolanos — e o caminho que devemos trilhar.

Dispomos de recursos naturais, de uma juventude com vontade de trabalhar e de instrumentos públicos de financiamento que começam a ser disponibilizados. Estes factores abrem caminho para uma nova Angola.

Mas, para isso, é imprescindível assumirmos com seriedade o combate a práticas nocivas como o nepotismo e o apadrinhamento. É urgente enfrentarmos esses males com rigor, com espírito crítico e com uma postura intransigente perante os abusos.

À comunicação social cabe um papel fundamental: fomentar o debate, divulgar boas práticas, dar visibilidade às punições por desvios e, sobretudo, educar a população sobre os danos sociais e económicos que o nepotismo acarreta.

Educar para transformar

Nenhuma mudança estrutural será verdadeiramente eficaz sem educação. Promover a ética, a transparência e o valor do mérito desde a escola é fundamental para formar uma nova geração de profissionais conscientes e responsáveis.

A educação cívica e moral deve estar integrada nos currículos escolares. Para além disso, programas de formação contínua dirigidos a funcionários públicos e privados podem ajudar a transformar mentalidades e práticas no seio das instituições.

Eu, da minha parte, já comecei. Esta é a minha contribuição para esse alerta nacional. Que mais vozes se juntem a este movimento de mudança. Angola merece — e pode — fazer melhor.

Mestre em Gestão e Governação Pública, pelo (CPPPGL) Centro de Pesquisa em Políticas Públicas e Governação Local da Universidade Agostinho Neto. Também estudante do curso de doutoramento em Ciências Sociais, na especialidade de Comunicação Social (FCS) pela mesma Universidade.

Por: ARLINDO BOLOTO

Consultor

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

por Dani Costa
25 de Junho, 2026

Um encontro entre os líderes parlamentares do MPLA e da UNITA tornou-se notícia nos últimos dias. Em causa estava o...

Ler maisDetails

O que te ensinaram a chamar amor?

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

Ontem, enquanto regressava para casa, ouvia um programa de rádio em que se falava sobre relaciona mentos, formas de amar...

Ler maisDetails

A dignidade da mulher e a estabilidade familiar: a limitação ao divórcio durante a gravidez no Direito angolano

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

O Direito da Família, enquanto ramo estruturante da ordem jurídica, reflecte valores fundamentais da sociedade. No ordenamento angolano, a protecção...

Ler maisDetails

Rangel recolhe contribuições dos moradores para Orçamento Participativo de 2027

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

Ler maisDetails

Angola regista avanços no cumprimento das recomendações do GAFI

25 de Junho, 2026

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

25 de Junho, 2026

Jornalista Tomé Armando vai a enterrar nesta Quinta-feira

24 de Junho, 2026

Interclube oficial contratação do treinador Divaldo Alves

24 de Junho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.