A Nesta fase do ano, por mais difícil que seja, é tão emocionante ver os jovens felizes depois de terem concluído um ciclo formativo. É bonito vê-los trajados com as becas cheias de adornos, os chapéus na cabeça e outros adereços para ilustrar ainda mais o momento em que pais, irmãos, amigos e outros se congratulam com o referido feito, depois de longas noites sem dormir, leituras até à luz de velas ou ainda viagens incessantes de carro, ou a pé. É o cenário que se assiste um pouco por todo o país.
De Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste. Mas, à medida que este dia se aproxima, do outro lado aumenta igualmente a incerteza sobre a possibilidade de servir nas áreas em que os jovens, sobretudo, se vão formando, principalmente por aqueles que alimentam intensamente o desejo de conseguir, exclusivamente, um posto de trabalho nas instituições públicas.
Ao ouvir o administrador de Calulo, nesta Terça-feira, ficou patente que, na circunscrição a que dirige, à semelhança do que se assiste em outras, é igualmente crescente o número de jovens que se formam com o foco de depois se entregarem aos concursos públicos em busca de uma vaga. Alertou aos recém-formados para que fossem eles mesmos criadores de soluções que possam ajudar a empregar outros jovens. Ou seja, muitos daqueles formandos podem, por conta das áreas em que se formaram, encontrar mecanismos que lhes possam guindar para vôos mais altos sem que se tenham de submeter às assustadoras discrepâncias entre a oferta e procura que se assiste nos concursos públicos.
Depois de uma corrida desenfreada observada no mês passado, por conta dos concursos públicos externos abertos nos sectores da educação e saúde, assim como no Ministério do Interior, esta semana começou a ser divulgado o número de concorrentes para as vagas existentes. E são assustadores, denotando-se, claramente, que um número significativo ficará de fora. Para pouco menos de 400 vagas no sector da saúde, no Cuando, por exemplo, existem mais de 32 mil candidatos. E acredita-se que a avalanche seja a mesma em outros lugares e sectores, sendo a maioria quadros formados recentemente pelas universidades e outras instituições de ensino superior no país.
Normalmente, quando as vagas são mais reduzidas, em sentido contrário, muitos sofisticam as práticas de corrupção para contrapor até os processos que exigem uma maior lisura e transparência. Um momento que poderia transformar-se em alegria converter-se-á em tristeza. Apenas uns poucos acabaram ‘escolhidos’, num processo que, mesmo sendo transparente, acabará por alimentar sempre especulações, embora muitos saibam de antemão que somente os melhores dos melhores deverão ingressar.
A cada dia que passa, vai ficando cada vez mais evidente que as soluções para a empregabilidade no país passarão, necessariamente, pelo sector privado, impulsionado pelas acções que o próprio Executivo vai desenvolvendo neste sentido junto das empresas públicas, privadas e das instituições bancárias para apoiar projectos voltados para a juventude.





