Há quem diga, com aquele ar de certeza emprestada, que Luanda “já não tem dono político”, que virou terra de ninguém, praça neutra, campo aberto, onde os “amantes” e os “namorados de ocasião” da política angolana podem meter o pé. Luanda é exigente, é verdade, mas não abandona história, embora cobre resultados. Luanda sempre foi mais do que números eleitorais. É termómetro político, palco simbólico e barómetro social.
Aqui na “nguimbi” não se vota por moda nem por raiva momentânea. Vota-se por memória, comparação e expectativa. Quem confunde manifestações com divórcio político está a interpretar mal o humor da cidade.
É verdade: Luanda fala alto quando está descontente. Reclama, ironiza, provoca. Mas reclamar não é romper. Criticar não é mudar de casa política; é bater à porta com força do dono de casa e dizer, “eu ainda preciso de ti”! O eleitor luandense não destrói pontes — testa a sua resistência. E quem acha que uma eleição difícil significa derrota permanente, confunde barulho com mudança estrutural.
A tese de que “agora em Luanda todos os partidos políticos nas eleições gerais de 2027 vão partir do zero” é ignorar um detalhe incómodo: governar também cria raízes. Luanda conhece quem esteve presente nos momentos difíceis, quem construiu, quem errou e quem corrigiu.
A cidade não é ingénua ao ponto de apagar décadas de presença política por causa de um ciclo turbulento. O que está em disputa em Luanda é além da pertença partidária, a credibilidade renovada. O eleitor não pede milagres; pede verdade, humildade e soluções concretas.
Quer menos discurso ensaiado e mais conversa olho no olho. Menos promessa elástica e mais compromisso de honra. Aqui entra o essencial: a força política que marcou Luanda, durante os 50 anos de Independência Nacional, não desapareceu — está a repensar estrategicamente como voltar a “conquistar a dona Luanda que nunca abandonou o seu grande e único amor”: o MPLA.
Continua viva nas estruturas, nos bairros, na memória colectiva e na capacidade de aprender com o erro. Política madura não é insistir no mesmo tom; é ajustar a melodia sem perder a letra. Dizer que Luanda “mudou de cor viva e vibrante, para uma cor de kadifuba” é precipitado, é dizer que o apressado come cru. Luanda apenas levantou a sobrancelha. E cidade que levanta a sobrancelha ainda espera resposta.
Espera escuta activa permanentemente. Espera a liderança que compreenda que governar a capital exige mais sensibilidade e proximidade do que propaganda. É por isso que 2027 não será um teste de sobrevivência, mas de reconquista consciente.
Reconquistar não no sentido de tomar algo perdido, mas de voltar a merecer. Voltar a convencer. Voltar a entusiasmar com ideias, não com ruído. E quem conhece a história política do país sabe: a chama que parecia baixa nunca se apagou. Está apenas à espera de oxigénio político, inteligência estratégica e humildade para voltar a iluminar a cidade.
Por: NZONGO BERNARDO DOS SANTOS
Parabéns, LUANDA, CIDADE DE BRAÇOS ABERTOS, PELOS 450 ANOS DE EXISTÊNCIA.








