EMPEMA-ENSA BANCO BAI SOCIJORNAL SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Qui, 11 Jun 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Vídeos
    • PUBLICAÇÕES
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Vídeos
    • PUBLICAÇÕES
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

“Fonte de vida” ganha proteção internacional

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Proteger uma zona húmida é sempre um gesto tardio. A diferença, neste caso, é que Angola decidiu fazê-lo antes que o silêncio fosse irreversível. O reconhecimento formal de uma zona húmida angolana — Lisima lya mwono, na língua local — como sítio Ramsar, hoje, é una vitória ambiental.

Poderão também interessar-lhe...

É de hoje… Não à síndrome de Estocolmo

É de hoje… Angola pisca os olhos à Sérvia

Quando os sistemas falam entre si, o doente chega mais depressa ao lugar certo

Daqui a vinte anos, porém, será interpretado de outra forma: como um teste. Não à biodiversidade, mas à capacidade humana de transformar um selo internacional num compromisso real com o território, as pessoas e o tempo longo da natureza.

Quando um ecossistema local passa a integrar uma convenção global, algo muda de escala. A água deixa de ser apenas recurso e passa a ser linguagem diplomática. O pântano, o rio lento, a planície inundável entram no vocabulário das nações.

Isso tem força simbólica. Mas também tem riscos. A história da conservação está cheia de exemplos em que o reconhecimento internacional protegeu mapas, mas desorganizou vidas. Angola carrega uma relação complexa com a sua terra.

Décadas de guerra, extração intensiva e urgências sociais criaram uma lógica de sobrevivência em que o futuro foi sempre adiado. As zonas húmidas, apesar de essenciais para a segurança alimentar, para o clima e para os ciclos da água, raramente foram tratadas como património. Sempre estiveram lá — silenciosas, produtivas, invisíveis. O que muda agora não é a natureza, é o olhar.

O problema começa quando o olhar vem apenas de fora. A linguagem da preservação global tende a ser técnica, normativa, bem-intencionada, mas distante. Fala de espécies, indicadores, metas. Fala menos de comunidades, de usos tradicionais, de economias informais que dependem diretamente desses territórios.

Se, daqui a vinte anos, este sítio Ramsar for lembrado como um espaço protegido e, ao mesmo tempo, esvaziado de gente, algo terá falhado. Há uma pergunta que o futuro fará com insistência: este reconhecimento foi um ponto de viragem ou apenas um gesto simbólico? Serviu para integrar conservação e desenvolvimento ou para congelar o território numa imagem idealizada da natureza? A resposta não estará nos relatórios internacionais, mas na vida quotidiana à volta da água: quem continua a pescar, a cultivar, a viver ali — e em que condições. O reconhecimento internacional é importante, mas não é suficiente. Ele abre uma porta.

O que decide o legado é o que se faz depois. Governança local, participação das comunidades, investimento em ciência aplicada, educação ambiental e alternativas económicas sustentáveis são o verdadeiro conteúdo do selo. Sem isso, a proteção transforma-se em retórica.

Daqui a vinte anos, quando alguém reler esta crônica, a pergunta já não será se Angola ganhou reconhecimento ambiental. Será se conseguiu transformar esse reconhecimento numa nova relação com o seu próprio território. A água, essa, continuará a correr. A dúvida é se aprenderemos, finalmente, a correr com ela — e não contra ela.

Por: JOSÉ MANUEL DIOGO

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

É de hoje… Não à síndrome de Estocolmo

por Jornal OPaís
11 de Junho, 2026

Uma das revelações mais aborrecidas que tive em mãos foi um relatório da Universidade Católica, realizado por investigadores reputados, há...

Ler maisDetails

É de hoje… Angola pisca os olhos à Sérvia

por Dani Costa
10 de Junho, 2026

Quem acompanhou o discurso da tomada de posse do Presidente João Lourenço, em 2017, em plena Praça da República, lembrar-se-á...

Ler maisDetails

Quando os sistemas falam entre si, o doente chega mais depressa ao lugar certo

por Jornal OPaís
9 de Junho, 2026

“Quando os sistemas se comunicam e estão integradgos, o doente não se perder no processo e chega mais depressa ao...

Ler maisDetails

É de hoje… A bola está com os profissionais da Saúde

por Dani Costa
9 de Junho, 2026

A praticamente um ano das eleições gerais no país, onde se elegerá o partido que vai governar e, concomitantemente, o...

Ler maisDetails

É de hoje… Não à síndrome de Estocolmo

11 de Junho, 2026

Porto do Lobito forma trabalhadores em matérias de espionagem e risco

10 de Junho, 2026

Chefe de Estado felicita homólogo pelo Dia de Portugal

10 de Junho, 2026

Bengo regista mais de mil casos de gravidez precoce no primeiro trimestre deste ano

10 de Junho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.