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OPAÍS

Juventude na liderança e a necessidade de separar o trigo do joio

Jornal Opaispor Jornal Opais
18 de Março, 2025
Em Opinião

Há muito que vozes se erguem pela necessidade de injecção de sangue novo na liderança das diversas instituições públicas, alegando que a geração que participou da luta para a libertação nacional está cansada, desactualizada e que precisa passar o testemunho.

Para uns, essa passagem representa o fim da liderança da geração de 1950 a 1960 e o início da geração de 1980 a 1990, teoricamente, uma geração promissora, com uma juventude sedenta por assumir o comando e caminhar com as próprias pernas.

A expectativa era que pudessem fazer mais e melhor para o seu povo, para o seu país. No entanto, dentre estes, dois grupos distintos e antagónicos foram identificados: de um lado, os que sonham contribuir para o crescimento e desenvolvimento de Angola (o trigo); do outro, os que sonham com uma mera oportunidade para se lambuzarem do pote de mel e fazerem a festa (o joio).

Como joio, podemos classificar uma franja da juventude privilegiada, alguns beneficiários de bolsas pagas pelo erário, com tios e padrinhos na cozinha, e que, gradualmente, foram empurrados a ocupar altos cargos, sem nunca terem dado provas de competência ou patriotismo para com Angola e com o seu povo.

Já o trigo, representa os jovens que, apesar de se terem formado com distinção, possuírem competência comprovada, mas por não terem qualquer padrinho na cozinha, são preteridos por conveniências extras profissionais.

O Joio, como que caído do céu, foi colocado em posições estratégicas, sem qualquer histórico de sucesso, sem experiência comprovada em gestão e liderança, sem nunca ter gerido absolutamente nada, sequer uma pequena cantina ou uma barraca.

Alguns com diplomas forjados, detentores, unicamente, da indicação de um papoite. Para o Joio, o sonho é viver no exterior, ter carros de luxo, roupa de marca, ter vidas mulatas e espalhar luxúria.

O Joio cresceu, fortaleceu-se e engoliu o trigo. O Joio foi estrategicamente posicionado em lugares decisivos, por meio de cunha; “co-padrinhismo”; nepotismo ou facilidades diversas, onde pode, despercebidamente, continuar a comer o bife e a lamber o pote de mel.

O joio é incompetente, vaidoso, arrogante, banhado de complexos de superioridade e não produz absolutamente nada.

O trigo, sem qualquer tio para dar o tão almejado empurrão, sem possibilidade de ascensão, foi arrastado pelo tempo, sufocado pelo veneno do joio, apesar da boa vontade de querer fazer melhor.

O trigo foi enfraquecido propositadamente, humilhado, rebaixado, mesmo tendo as melhores qualificações, maiores capacidades técnicas, humanas e perfil adequado para determinados cargos, inclusive, maior idoneidade moral, ética e verdadeiro compromisso com a pátria.

O joio e o trigo estão misturados, urge a necessidade de separá-los, antes que o joio se torne imperceptível e mais perigoso. O joio mancha a imagem de toda a juventude angolana.

Quando sobe ao topo, puxa imediatamente os seus semelhantes, formando uma quadrilha. O Joio desliza como verdadeiras víboras, fica ao pé dos cofres, como karma, são sempre os escolhidos para lugares chaves em detrimento dos que de facto querem trabalhar arduamente para o crescimento de Angola.

Notícias de desvio de bilhões de kwanzas na AGT, no INAGBE, em diversos bancos… mancham as manchetes de jornais locais e internacionais, quase todos, envolvendo o joio, a tal esperança de mudança para o país.

Tais desfalques levantam o véu obscuro que merece a nossa reflexão: que perfil o jovem deve ter para ocupar cargos estratégicos ao serviço do Estado? Quais os critérios de selecção? Como atingem as mais altas posições nas instituições públicas? Quem e como os selecciona? Que método usar para separar o joio do trigo? Tais questões são relevantes para se apurar os verdadeiros responsáveis, os mentores, os cérebros, e prevenir futuros desfalques bilionários que prejudicam a todos nós.

Desvios “à grande e à francesa”, que ferem a alma e desencorajam a esperança do homem novo. Jovens cuja mentalidade deveria estar forjada para o desenvolvimento da pátria e melhoria das condições de vida da população já tão sofrida.

Os jovens na liderança das instituições públicas têm a obrigação de fazer melhor do que os seus antecessores. Infelizmente, a realidade prática, aponta que estamos a injectar joio e não trigo. Joio que continua com práticas corrosivas contra o Estado e que em nada beneficiam a sociedade.

Quando o joio não é arrancado oportunamente, este torna-se hostil e mata silenciosamente toda a plantação. Não basta ser-se técnica e academicamente bom para servir ao Estado, há que se ser ético, moral, patriota e amar o seu povo.

Não basta ter tios e padrinhos na cozinha ou ser-se filho de A ou B, para chegar aos mais altos lugares da gestão pública, tem de, acima de tudo, querer servir a nação, fazer diferente, honrar a pátria, para que tenhamos um futuro melhor. Vamos separar o trigo do joio.

 

Por: OSVALDO FUAKATINUA

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