Em Luanda, no Lubango ou no Huambo, a procura por um tecto decente tornou-se, para muitos, uma corrida sem linha de chegada. Anúncios com preços que ultrapassam metade do salário líquido, contratos verbais sem garantias, despejos súbitos e a sensação constante de que o espaço onde se vive consome mais do que proporciona.
Quando os números oficiais falam em programas habitacionais e milhares de unidades entregues, a pergunta que ecoa nas famílias, nos jovens profissionais e nos pequenos investidores é simples: porque é que o tecto custa cada vez mais? A resposta não está num único factor. Está numa cadeia de estrangulamentos que se alimenta a si mesma.
Primeiro, o custo de construção. Angola impor ta ainda uma fatia significativa de materiais de acabamento, equipamentos e, em certas épocas, até cimento. Logística portuária, taxas alfandegárias e flutuação cambial transformam cada metro quadrado num exercício de matemática complexa. Segundo, a regularização fundi ária.
Sem títulos claros e previsíveis, o investidor privado hesita, o banco recusa financiamento longo e o cidadão fica refém do mercado informal. Terceiro, a concentração urbana. Mais de 60% da população vive em cidades, segundo o INE, mas a oferta de habitação formal não acompanha o ritmo de chegada.
O resultado é um mercado de arrendamento tenso, onde a lei da oferta e da procura dita preços sem freios regulatórios ou mecanismos de protecção ao inquilino. Do lado do crédito, a realidade é igualmente desafiadora. As hipotecas em Angola permanecem um produto de nicho.
Por: ABRAÃO HUNGULO








