Cada apagão na ENDE não é mero acidente, mas sintoma de uma gestão estatal cronicamente ineficiente, com prejuízos de centenas de milhões de kwanzas anuais por vandalismo, dívidas de clientes (328 mil milhões em 2024) e perdas operacionais acima de 30% em províncias como Luanda e Benguela.
O monopólio estatal sufoca inovação: sem concorrência, a ENDE prioriza burocracia sobre expansão, deixando +60% da população sem acesso fiável, enquanto o potencial hidroeléctrico e solar de Angola (9.000 MW até 2027) permanece ocioso. Ler isto deve chocar: estamos desperdiçando o nosso maior trunfo económico num modelo obsoleto que drena recursos públicos sem retorno.
Concursos provinciais: A virada urgente Virar a página significa lançar concursos públicos provinciais para empresas nacionais e internacionais para concessão de distribuição e comercialização eléctrica, transferindo activos da ENDE (redes, contadores, cobrança) a operadores privados qualificados – como já planeado para 2026 e iniciado em Cabinda via PPPs com o Banco Mundial.
Cada província geriria seu lote: Luanda atrai gigantes globais para mega-redes; Cuando-Cubango foca mini-redes solares off-grid. Isso acelera ligações novas (meta: 80% cobertura até 2030), reduz avarias via piquetes ágeis e integra tecnologias como smart grids e baterias para estabilidade 24/7. Imagine: bairros como Viana iluminados em meses, não décadas, um impacto visceral que transfor- ma vidas e catapulta produtividade local.
Energia eléctrica: Chave para alavancar a economia
Energia eléctrica deve ser tratada como urgência nacional, pois cada kWh acessível multiplica o PIB em 1,5-2% via indústria, agricultura mecanizada e serviços digitais, sectores que representam 70% do crescimento em economias emergentes. Com concorrência provincial, atraímos FDI para 500 MW solares (como Quipungo com Masdar) e eólicos (Tombua, 100 MW), diver- sificando da dependência petrolifera (ainda 90% exportações) para renováveis (meta: 72% matriz em 2027). Detalhe brutal: sem isso, perdemos exportações regionais para Namíbia e RDC, estimadas em bilhões; com gestão privada, cria- mos 100 mil empregos directos em construção/manutenção, elevando poder de compra e reduzindo po- breza em 20% nos próximos 5 anos. Energia não é luxo, é o combustível do nosso renascimento económico.
Novas fontes e tecnologias: Potência disruptiva
Abraçar novas fontes solar fotovoltaico (potencial 7 kWh/m²/dia), e ólica no litoral e hidrogénio verde via Laúca/Queen com tecnologias como IoT para monitoramento remoto e storage de lítio para picos, garante energia “potente e bem gerida”. Privados injectam expertise: redução de perdas de 30% para 10%, tarifas competitivas (ajustar de actuais não-atractivos) e integração regional via SAPP. Impacto: indústrias electro-intensivas (alumínio, fertilizantes) florescem, gerando clusters provinciais que elevam exportações não-óleo em 50% até 2030. Ignorar isso condena gerações à estagnação; adoptar liberta um boom sustentável.
Conselhos ao Executivo: Atrair investidores já
Priorizem garantias contratuais de 20-25 anos com hedge cambial e tarifas indexadas ao USD para mitigar riscos, como no modelo Masdar. Crie fundo soberano energético (via receitas petróleo) para matching FDI 1:3 (Investimento Estrangeiro Directo), simplifique vistos para techs via one-stop-shop no AIPEX e audite ENDE publicamente para credibilidade. Negociem PPAs (Power Purchase Agreements, ou Contratos de Compra de Energia) regionais com DRC/ Zâmbia para receitas extras. Foque PPPs (Parcerias Público-Privadas) provinciais: priorize Moxico para hidroeléctricas, Namibe para solar. Resultado: 5 bi USD em investimentos até 2028, 300 mil empregos e qualidade de vida via electrificação universal, mas actuem agora, ou o abismo engole Angola.
POR: DIOGENES LENGA









