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OPAÍS

É de hoje…Sirenes na função pública

Dani Costapor Dani Costa
19 de Fevereiro, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

A esta hora, são inúmeros os jovens que aguardam pelos anúncios oficiais dos concursos públicos que deverão ocorrer na função pública. Há alguns meses que se espera a abertura na Educação e Saúde, enquanto um outro grupo está expectante às boas-novas que possam advir do Ministério do Interior, organismo que ainda precisa de muitos integrantes.

Anualmente, um elevado número de jovens, formados em várias especialidades, sai das universidades aguardando por uma oportunidade de trabalho. Infelizmente, independentemente da existência de uma pouca oferta no sector privado, a maioria destes procura um lugar ao sol na função pública, mesmo que seja fora da área em que se tenha licenciado. Há muito que se vende a vã ilusão de que só há segurança no sector público.

E pior: existem aqueles que, erradamente, acreditam e alardeiam aos quatro cantos que uma reforma segura obtém-se, somente, estando vinculado ao Estado, quando hoje existem muitos exemplos de cidadãos que estão a gozar o digno descanso com contribuições feitas longe das estruturas estatais. Por isso, não admira que, quando tocarem as sirenes, iremos, certamente, observar longas filas de Cabinda ao Cunene, do Mar ao Leste.

A obtenção de uma vaga, tanto nas grandes capitais como naquelas recém-criadas, marcará os próximos noticiários informativos, porque poucos são os que querem perder uma vaga, embora se saiba que são exíguas e por cada uma deverão pelejar centenas, senão milhares de candidatos.

O Estado continua a ser o maior empregador. E continuará a ser por algum tempo devido às necessidades que ainda persistem em determinados sectores da vida social, económica e política do país, agravadas ultimamente com a Nova Divisão Político-Administrativa e a criação de mais províncias e municípios.

O expectável é que seja, num futuro muito próximo, o sector privado a tocar os sinos que farão com que a questão da empregabilidade em Angola não se constitua num enorme problema, podendo mesmo as necessidades serem posteriormente supridas por mão- de-obra expatriada.

Não há dúvida de que a expectativa pela busca de um lugar, para muitos que aguardam pelos novos concursos públicos, poderá se transformar também em frustração caso os seus desideratos não se alcancem.

E, num mercado em que existem milhares de cidadãos em busca de uma oportunidade, poucos serão os ‘escolhidos’, como diriam muitos cristãos, apesar dos meses ou anos de espera.

Embora a esperança seja a última a morrer, mesmo nos casos em que para cada lugar existam mais de 100 ou 200 concorrentes, fica por demais evidente que terá de ser mesmo o sector privado a agregar a maioria dos que não puderem ser brindados em mais um concurso que se avizinha.

É, por isso, necessário que se incuta a muitos jovens que há muito mais vida para além do sector público, assegurando-os de que é uma falácia o que se diz de que só estando no sector público é que se consegue uma boa reforma.

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