Foi há 50 anos que Angola foi admitida como membro de pleno direito da Organização de Unidade Africana (OUA), a instituição predecessora da União Africana. Esta efeméride, que não passa despercebida a nível das relações exteriores, coincidirá, felizmente, com a fase em que o Presidente da República, João Lourenço, concluirá o seu mandato de um ano à frente da presidência rotativa desta instituição.
Um ano depois, apesar de críticas vindas de sectores da oposição política, que pretendiam retirar o brilho que se seguiu, minando todo um processo transparente, os sinais de reconhecimento de uma liderança firme e forte vão aumentando.
E sem descanso. É o que se pode concluir, por exemplo, da escolha do estadista angolano para a função de presidente em exercício do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, em substituição do seu homólogo egípcio Abdel El-Sisi.
Nahoradascontas,épossíveldivisarque,independentemente das dificuldades económicas e sociais que grassam sobre o continente berço, o seu nome voltou a ecoar nas altas esferas e palcos mundiais. Quando se assumiu a liderança, no dia 13 de Fevereiro do ano passado, felizmente num período em que Angola se preparava para celebrar o jubileu da independência, as expectativas eram enormes.
Na altura, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, garantira que o nosso país desejava ‘ser o farol da esperança e progresso durante o seu mandato’. Não obstante às especificidades dos problemas económicos, sociais e, sobretudo, políticos, Angola procurou, durante o mandato do Presidente João Lourenço, encontrar soluções duradoiras, incluindo para o penoso e quase eterno conflito armado na República Democrática do Congo, que obrigou o estadista angolano a viajar para Washington, onde, numa iniciativa do norte-americano Presidente Donald Trump, testemunhou a assinatura de um acordo de paz entre Félix Tshisekedi (RDC) e Paul Kagame (Ruanda).
Mas este roteiro era somente uma extensão do papel desempenhado durante largos meses com forças do Congo Democrático e da rebelião do M23, que se mantêm em contacto ainda com a diplomacia angolana. Entretanto, longe dos conflitos armados – e de outras crises políticas cíclicas – há a destacar os grandes eventos que vieram a aproximar, sobremaneira, o continente africano dos Estados Unidos da América e da União Europeia.
Com a maior potência do mundo, os últimos eventos ocorriam principalmente em solo americano, saudando-se o facto de muitos dos players das Terras do Tio Sam se terem deslocado a Angola, em particular, e África, em geral. A lista de eventos que marcam esta presidência de Angola integra ainda o Fórum sobre Infra-estruturas em África, em que mais de mil participantes, inspirados pela inovação, sustentabilidade e resiliência, procuraram construir as bases para um continente mais forte em vários domínios.
Hoje, durante a passagem de testemunho a um outro estadista africano, ficará, igualmente, marcada para a posteridade os feitos de Angola e do seu Presidente. Alguns dos quais os seus frutos estender-se-ão aos próximos anos, como os novos eixos de cooperação com a União Europeia, que vão até 2030.









