Quem passa pela via expressa, em Luanda, apercebe-se, claramente, do investimento que vai sendo feito pelos investidores chineses. Num raio de pouco menos de 10 quilómetros, é possível divisar lojas, shoppings, construtoras e outras unidades. Há uma Cidade da China.
Alguns preferem até dizer em inglês que já temos uma China Town, ou seja, um espaço de eleição em que, à semelhança do que ocorre noutras partes do mundo, é dominado maioritariamente por empresários chineses, alguns dos quais pontapeiam a legislação angolana. Apesar dos receios existentes, Angola e a China possuem uma sólida relação que, a cada dia que passa, pode ser melhorada.
E esta semana, os dois países comemoraram mais um aniversário em alusão ao restabelecimento das relações diplomáticas, que, por sinal, precedem uma cooperação que vem antes da própria independência do país. Hoje, por exemplo, um parque industrial será inaugurado na Barra do Dande, no âmbito de um investimento chinês, embora as relações internacionais levem, nos dias que correm, muitos a se questionarem sobre a aposta chinesa e o seu papel a nível da diversificação da economia.
Quando em 2002 Angola atingiu a paz, havia entre muitos a hipotética ideia de que se poderia realizar uma conferência de doadores para se reconstruir o país e se dar os passos necessários rumo ao desenvolvimento. Foram vários os interesses manifestados, mas poucos os estados que se mostraram disponíveis em trazer dinheiro e investir de facto. À semelhança do passado, nos últimos tempos, em que diversificação da economia é o som que mais ecoa, também se espera que outros estados intervenham no sentido de se alavancar a economia.
Afinal, desde sempre existiu um terreno fértil, mas ainda assim é preciso que venham mais interessados que possam colocar aqui as suas infra- estruturas e retirar o rendimento a que têm direito. Mas são poucos os que parecem querer correr o risco. Mas são muitos os que em prontidão se aprestam em criticar, sobretudo investimentos vindos de países que não caem nos seus gostos.
O caso da China é paradigmático. Existem muitos cidadãos que se querem mostrar contra, como se não soubessem que no mundo são vários os países que conseguiram ultrapassar crises e outros dilemas depois de uma aposta externa. Distante das apostas que alguns apodam como sendo efémeras, hoje, por exemplo, será inaugurado um parque industrial na Barra do Dande, no Icolo e Bengo.
Trata-se de um investimento há muito anunciado, mas cujos resultados começarão a ser sentidos a partir desta semana. As informações iniciais indicam que são centenas ou milhares de postos de trabalho a serem criados, o que não deixa de ser fundamental. Infelizmente, há quem se vá deixar levar por algumas cantigas como se a concretização do parque não fosse uma mais-valia para os angolanos e os próprios investidores.









