Já lá vai um ano desde que a Nova Divisão Político-Administrativa saiu do papel, originando a criação das províncias de Icolo e Bengo, Cuando e Moxico Leste. A primeira emanou da junção de alguns municípios de Luanda, a segunda e a terceira províncias das divisões do Moxico, até então a maior do país, e do Cuando-Cubango.
Um ano depois, embora ainda engatinhando, é tempo suficiente para se começar a ter as primeiras impressões sobre se terá valido a pena a aposta do Executivo, liderado pelo Presidente da República, João Lourenço, a figura por detrás da materialização deste projecto aguardado há muito, tanto por académicos como por políticos. Entre as três províncias, Icolo e Bengo é, sem dúvidas, aquela que apresenta um maior índice de desenvolvimento, por conta do que herdou de Luanda, de onde saíram municípios com infra-estruturas de fazer inveja até mesmo às províncias não divididas.
Entre estas infra-estruturas, é possível divisar centenas de escolas, postos de saúde, hospitais gerais, centralidades e até um Aeoroporto Internacional, o Dr. António Agostinho Neto, a maior referência do sector no país. Mas não é só de bens herdados que se pode falar hoje, conforme o seu governador, Auzílio Jacob, o entrevistado desta semana deste jornal.
Em curso estão outros projectos nos sectores da Educação, Saúde, Turismo, Transportes e Infra-estruturas que acreditam que só estão a ser possíveis por conta da desagregação de Luanda. Mais afastados da capital, o centro do poder político e das grandes decisões, também se avizinham grandes transformações nas províncias do Cuando e do Moxico Leste, a julgar pelos projectos aprovados recentemente e que poderão alterar radicalmente a imagem de terras que até então se poderiam parecer com as do fim do mundo.
São escolas, centros administrativos, hospitais, postos de saúde e até um futuro aeroporto internacional que vêm sendo projectados para as duas novas do nordeste, cuja empreitada poderá servir, igualmente, de chamariz para muitos jovens que procuram iniciar a vida e buscam por uma verdadeira oportunidade.
Apesar do cepticismo inicial de muitos, defensores da tese de que não se deveria mexer jamais na estrutura anterior, em que o país contava somente com 18 províncias, os sinais que se vão recebendo, nos últimos tempos, demonstram também que se parece ter dado o passo certo.
Sempre que penso na divisão político-administrativa, um assunto que já leva vários anos, vem à memória o saudoso professor e ambientalista João Serôdio. Em vários escritos e entrevistas já era apologista de que, por exemplo, chegaria o dia em que o Moxico seria repartido em duas ou três províncias, o que possibilitaria que muitos dos serviços pudessem chegar em tempo útil às zonas mais recônditas.
Partiu antes de ter assistido à concretização de um dos seus desejos. Certamente, nesta altura, em que se assinala um ano, não deixaria de apontar e criticar algumas situações, ciente de que era inevitável criar novas províncias, não obstante a crítica que muitos foram evidenciando igualmente depois da concretização.









