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OPAÍS

É de hoje…A polémica da farda

Dani Costapor Dani Costa
1 de Abril, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Dois comunicados marcaram o início da semana: um proveniente do Ministério do Interior e outro do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Em causa está a actuação de um grupo de jovens ligado à UNITA numa actividade política no Cuanza-Sul, envergando trajes que fazem lembrar as então Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), o então braço armado do maior partido na oposição.

Como se poderia prever, devido ao peso político, histórico e até social do traje, muitos seriam os que se poderiam manifestar contrários à referida exibição, assim como outros que também agiriam do lado oposto por terem feito parte das fileiras desta organização.

Embora desta vez tenha sido muito mais visível, é notório em muitas datas celebrativas figuras ligadas à UNITA e alguns aficcionados usarem trajes do género e até mesmo antigos fardamentos para assinalarem determinadas datas.

Das várias análises que se apresentam, alguns académicos buscaram o lado semiótico, que não é de se menosprezar, por conta do simbolismo que a mesma acção pode representar.

Seja do lado positivo, como negativo, porque não se pode de modo algum menosprezar que pode levar a muitos recordações pesadas de um passado ainda recente. Não está aqui em causa o facto de não terem ocorrido coisas boas no seio da UNITA.

Nem tão pouco que esta organização não tenha feito algumas acções de que muitos se podem orgulhar, mas o inverso também é verdade, sem se deixar de lado que só se chegou a um processo de paz definitivo depois da morte do seu líder em combate, Jonas Savimbi. Dirão muitos que se trata da história do país.

É verdade. Mas quando se não mostram de forma isolada – ou em alguns casos esporádicos – um ajuntamento significativo pode parecer para muitos algo bonito, mas também induzir outros a reflexões que geram várias reflexões, algumas das quais exageradas.

Mas, em todo o caso, é preciso que se reconheçam os meandros com que se terminou o processo de paz em Angola. De um lado, as forças legítimas de um governo eleito e, do outro, uma força tida como rebelde, independentemente do facto de, em Fevereiro e Abril de 2002, ter tido o seu então chefe de Estado- Maior General a assinar o acordo de paz no Palácio dos Congressos.

Vinte e quatro anos depois, com feridas ainda abertas em ambos os lados, razão pela qual muitos não se entendem, é lícito que qualquer um de nós se questione se estamos já preparados para exercícios do género.

Uma coisa é, por exemplo, se questionar o uso de fardas militares oficiais num acto político – o que é condenável, e a outra é o uso de uma força que, em princípio, deveria sair de cena em 1991, ou mais tarde, em 1996, com os Acordos de Lusaka.

Entre prós e contras, a esta hora, cada um irá apregoar os seus argumentos. Mas não nos esqueçamos de que poderemos estar diante de um caso com múltiplas interpretações, apesar das críticas e fanatismos, que podem passar do lado histórico, político e até jurídico.

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