À medida que o tempo vai passando, Angola vai se aproximando da realização das suas sextas Eleições Gerais, depois da implementação do multipartidarismo, em 1991. Trinta e cinco anos depois da adopção deste sistema político, todos os pleitos foram vencidos pelo MPLA, independentemente do interregno havido entre 1992 e 2008, altura em que foram realizadas as segundas eleições após a morte de Jonas Savimbi nas matas do Moxico.
Em todos os pleitos, o maior partido da oposição sempre discordou dos resultados, argumentando a existência de fraudes, mesmo naquelas circunstâncias em que esteve evidente que dificilmente tivesse ganhado como tem alvitrado. Aliás, desde os primeiros anos da democracia, ainda no início da década de 1990, foi sempre esta a sua percepção, que ainda se mantém.
Porém, não obstante as reclamações existentes ou não, um dos aspectos que prefiro observar, tanto na fase préeleitoral, como depois delas, são as ideias que depois acabam por constar de programas.
Quer se queira, quer não, são estas que muitas das vezes acabam por ser condensadas e apresentadas aos cidadãos, muitos dos quais não estão sequer preocupados com aquilo que um dia Lopo do Nascimento chamou de ‘conversas do infantário’. Há poucos dias, na província do Cuanza-Norte, o partido no poder, no caso o MPLA, fez a abertura do ano político 2026, apresentou os eixos da sua acção no presente ano.
Os camaradas começam com o Congresso da Organização da Mulher Angola, cujo início será no próximo dia 28, e culminar com o Congresso do próprio partido, que vai eleger o líder, ainda este ano, em que se celebra os 70 anos da organização.
Era expectável nesta fase, para uma oposição que se preze, procurar avaliar a mensagem passada e dentro dela encontrar motivos que os ajudem a contrapor a hegemonia mais do que visível que os camaradas ainda vão demonstrando em vários níveis.
Como se soe dizer, mais do que a mensagem, para muitos, convém atacar o mensageiro – ou então o local em que a mensagem é passada. E pior: aqueles que terão escutado a mensagem. Infelizmente, o que se vai observando nesta fase em que está mais do que patente uma pré-campanha em todos os partidos políticos, até em aspirantes ao reconhecimento pelo Tribunal Constitucional, é que se deixa de lado o essencial para se cruzarem no supérfluo, enquanto outros parecem fazer já muito bem o trabalho de casa.
Entre outras coisas, os ‘camaradas’ se propõem em Reforçar a unidade interna do Partido, assim como a sua integridade ética, reforçando a disciplina e a coesão dos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA, assim como a defesa da imagem e do prestígio do MPLA e do seu líder, bem como dar o suporte necessário ao Executivo para a realização da acção governativa com qualidade’.
De igual modo, pretendem ainda “reforçar o apoio à juventude e à mulher angolana com medidas de sustentabilidade económica e social com vista a capacitação integral, a promoção da inclusão social, igualdade de oportunidades e o desenvolvimento comunitário e reorganizar e consolidar o Movimento Associativo de Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, tornando-o mais forte e capaz de contribuir para o reforço da capacidade institucional do sector dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria”.
Enquanto isso, de onde se esperava abordagens no sentido de se criar um debate em torno do que o maioritário propõe, o que se surge são argumentos sobre as enchentes nos comícios e outros que em nada acabam por engrandecer a discussão política numa fase em que o país precisa de ideias que possam ajudar a melhorar muitos dos problemas que ainda se atravessa









