A imagem do jovem a beber água em um chimpaca ao lado do gado que cuidava, algures na província do Cunene, foi uma das mais impactantes vistas durante a fase mais crítica da seca nesta província do Sul do país.
Dezenas de pessoas perderam a vida, milhares de cabeças de gado e outras tantas saíram das suas aldeias por conta da falta de água em um determinado momento da história que o país atravessou. Era preciso fazer algo.
Recordo-me ainda da comissão interministerial criada para apoiar as famílias, muitas das quais não acreditavam sequer que um dia pudessem surgir tempos de bonança, numa região tão árida e quente como as terras do reu Mandume.
Passaram-se sete anos desde a pior seca. Desde então, através de um programa de combate a esse fenómeno, o Executivo angolano, liderado pelo Presidente João Lourenço, comprometeu-se a criar condições definitivas para que a população do Cunene não voltasse a passar por aquela situação humilhante e degradante em que muitos se viam forçados a abandonar as suas zonas de origem, com o gado à mistura, em busca de água para beber e área de pasto.
A construção, inauguração e entrada em funciona mento do Canal do Cafu, em Abril de 2022, foi o ponto de partida para a alteração do modus vivendide uma população que, há muito, se via privada do precioso líquido em grandes quantidades.
As terras, até então áridas, deram lugar a vastíssimos terrenos disputados por muitos, incluindo indivíduos saídos de outras províncias, que hoje fazem das suas margens e zonas mais próximas territórios de forte produção de legumes, vegetais, cereais e áreas de abeberramento de gado.
Hoje, é visível no rosto dos próprios populares um enorme sentimento de alegria pelos novos tempos. Para trás ficarão, seguramente, os momentos de tristeza, pese embora o facto de que vão perdurar para sempre as recordações daqueles que se foram por conta de uma catástrofe natural, mas que pode ria ter sido atenuada há mais tempo, sobretudo naqueles momentos de enorme bonança do país.
Mas era preciso fazer mais. Levar a água aos locais mais recônditos, onde os outros habitantes, que também passam por situações de seca semelhantes, pudessem viver dias melhores. As barragens do Ndúe e do Caculukuve vêm atender a este desiderato, tornando assim a província do Cunene, até então tida como seca, um dos territórios com maior acesso ao precioso líquido, podendo assim alavancar a agricultura e potenciar ainda mais a criação de gado.
Conforme descreve o site do Ministério da Energia e Águas, “o processo de construção dos projectos hidráulicos das barragens do Ndúe e Calucuve são dois dos cinco projectos estruturantes de combate à seca na província do Cunene.
Consignadas no final de Outubro de 2021, as barragens de Ndúe e Calucuvesão dois projectos que vão permitir a acessibilidade de água para as populações, abeberamento do gado e prática da agricultura irrigada”. Mas é verdade que existem outras áreas no país, algumas até em que há conflitos entre criadores e fazendeiros, que devem fazer com que o programa do Executivo se estenda rapidamente a estes locais.
O Presidente da República, durante a inauguração das duas barragens, acima mencionadas, apontou as províncias do Namibe e da Huíla como outras que vão beneficiar de projectos semelhantes. Como frisou, depois da água, outras coisas seguirão, com certeza.





