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Dombe-Grande “com Vida” sem feitiço

Jornal OPaís por Jornal OPaís
6 de Março, 2026
Em Opinião

O agora município do Dombe-Grande foi, recentemente, por imperativo profissional, o meu destino. Sob proposta de Dani Costa e Jorge Fernandes, respetivamente, Coordenador-geral e chefe de Redacção deste jornal, dei por mim a calcorrear e adentrar aquelas bandas, outrora uma terra muito ligada à “magia negra” (roubo as expressões às igrejas neo-pentecostais brasileiras). Lá se foram os tempos em que no Dombe não se entrava de qualquer jeito. Nasci no Tchioxe e tive a infância entregue ao bairro da Massangarala.

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Nos idos anos de 80/90, era comum ouvir-se de mais-velhos, de entre eles os nossos pais, que os velhos do Dombe educavam “bem os gatunos” (tratamento pejorativo atribuído a quem furta ou rouba alguém). Rigorosamente falando, se tivermos em conta o que se ouvia, a região não dispunha de nenhuma estatística relativa a roubos e/ou furtos. Era impensável para os amigos do alheio aceder ao interior da residência de um mais-velho sem que, para tal, tenha sido autorizado, sob pena de ser enrolado por uma jibóia. Nos dias em que lá estive me contaram uma série de estórias.

Mas, a que mais me marcou foi uma que envolveu um ancião e um jovem. Certa vez, lá pelas bandas do Dombe-Pequeno (para além do Dombe-Grande, existe o Pequeno, para quem vai à povoação do Cuyo), um jovem varria a rua e um mais-velho ia a passar. Este cumprimentou o jovem, ao que ele respondeu à saudação, porém que, mesmo assim, continuou o trabalho que vinha realizando.

O mais-velho deu-lhe uma olhada – daquelas reprovadoras – e o jovem passou dia todo a varrer. Varreu o bairro. Só viria a parar quando o mais-velho assim o decidiu. Para além daquelas estórias de que o mais-novo nunca deve, em eventos festivos e cerimónias fúnebres, deve comer um naco de carne maior que a do mais-velho, sob pena de ficar duas semanas só a mastigar. Enfim foram muitas estorietas.

Nos dias que correm, as coisas estão completamente mudadas. Temos um outro Dombe-Grande onde já não se respirava lá assim tanto feitiço. Houve quem, inclusive, associasse o seu subdesenvolvimento a práticas místicas do passado. Pois, como dizia. Fui ao DombeGrande para, de lá, reportar o que, hoje, a região representa, sobretudo no que se refere à produção de alimento, não fosse hiper potente na componente agrícola.

Na noite de quarta, 27 de Março, percorri cerca de 90 quilómetros da zona onde resíduo até àquela terra. No dia seguinte, às primeiras horas do dia, antes de sair para as áreas objecto de reportagem, procurava por algo para parar o ronco estomacal. Que me estava a incomodar muito cedo. Fui ao restaurante da unidade hoteleira onde me encontrava “parqueado”.

Eu e os outros hóspedes da única unidade hoteleira davamos por nós à espera de um funcionário que, nesse dia, tinha resolvido dormir um pouquinho mais. Lá estava eu, entre quatro pessoas, a depender da boa vontade dos “arquitectos” da cozinha para a salvaguarda da minha soberania estomacal. Confesso-vos que a coisa mais difícil para um ser humano é esperar.

Que remédio?! Fiz mais um compasso de espera – e nada! Fogo, um nervo à flor da pele visitava à minha tensão arterial ( ainda bem que não sofro desta doença, embora tenha um histórico familiar). Solução? – pergunteime a mim mesmo.

Saí do recinto. A dois metros de distância estava uma menina, que supus não ter mais do que 14 anos de idade, a vender mandioca fervida ensacada. Perguntei-lhe o preço. “Aqui é 100 k, aqui é 200”, respondeu-me a vendedeira ambulante. Apalpei-me à procura de qualquer moeda. E do meu bolso esquerdo retirei uma moeda de 200 kz. Tirei da tigela um pedaço e comecei a degustar, encostado à parede de um estabelecimento comercial.

Depois do “café da manhã”, os meus caminhos foram dar aos campos de produção de motorizada, à boleia do senhor Hossi, que, também, me serviu de guia. O acesso para lá é tão acidentado quanto poeirento. Conversei com os produtores, de quem ouvi preocupações relativas à falta de energia eléctrica e à deficiência nos acessos para escoar os produtos do campo para a cidade. Depois de um manancial informativo, estava de regresso à sede municipal.

Novamente o ingrato do estômago deu o ar da sua graça. Roncava a implorar por algo sólido no seu interior. Fui dar ao chamado bar do Éden para se alimentar. À chegada, sou recebido pela simpática jovem Avozinha, atendente ao balcão. Dá-me a escolher o menu: funje e carne estufada, arroz e o mesmo acompanhante. – Olha, para mim, é preferível funje – pedi – ok – anuiu. Fui-me sentar a uma mesa um pouco mais para o canto.

Quinze minutos depois, lá vinha a Avozinha. De “avó”, sinceramente, tinha apenas o nome. A filha alheia da mãe dela é toda jovial, tinha compleição corporal violado, traseiro bastante avantajado. Entre o prato e o traseiro de Avozinha, decidi dedicar toda a minha energia ao segundo. Comi o funje e a carne. Não permiti que a carne humana precisasse de outra carne – se é que me entendem.

Contudo, o Dombe-Grande vai dando os seus passos rumo ao progresso, sendo certo que, conforme admitem as autoridades, há necessidade de investimentos nas vias de acesso, energia eléctrica, hotelaria, águas, hospitais, para citar apenas estes. Com tudo isso, vale cá dizer “O Dombe COM VIDA SEM FEITIÇO”, conforme título sugerido pelo autor para esta crónica.

Por: CONSTANTINO EDUARDO

Jornalista

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