Aprender uma língua estrangeira é, antes de tudo, aprender a comunicar. No entanto, esta afirmação, aparentemente simples, continua a representar um dos maiores desafios do ensino da Língua Inglesa em muitos contextos escolares. Em Angola, não é raro encontrar alunos que estudaram Inglês durante vários anos, conhecem regras gramaticais, possuem algum vocabulário e conseguem responder a exercícios escritos, mas revelam dificuldades numa conversa simples.
Esta realidade levanta uma questão que merece ser discutida: estaremos realmente a ensinar os alunos a comunicar em Inglês ou apenas a demonstrar que conhecem determinados aspectos da língua? Durante muito tempo, o ensino de línguas esteve fortemente associado à memorização de regras, tradução de textos e domínio da gramática. Embora estes elementos sejam importantes, o conhecimento linguístico, por si só, não garante a capacidade de utilizar a língua de forma eficaz.
Canale e Swain (1980) defendem que a competência comunicativa ultrapassa o conhecimento linguístico gramatical, envolvendo também a capacidade de utilizar a língua adequadamente em diferentes situações de comunicação. Assim, saber construir correctamente uma frase não significa necessariamente conseguir utilizá-la espontaneamente numa situação real. Esta diferença pode ser observada diariamente nas salas de aula angolanas.
Um aluno pode saber responder por escrito a “What did you do yestarday”, utilizando correctamente o Past Simple, mas permanecer em silêncio quando o professor faz a mesma pergunta oralmente. Outro pode memorizar dezenas de palavras, mas não conseguir formar uma conversa básica. O problema, neste caso, não é necessariamente a ausência de conhecimento, mas a pouca oportunidade de transformar esse conhecimento em prática comunicativa. Krashen (1982), ao abordar a aquisição de uma segunda língua, chama atenção para a importância de exposição à língua e para condições que favoreçam a aquisição, em vez de uma apren- dizagem baseada exclusivamente no conhecimento consciente das regras.
Nesta perspectiva, o aluno precisa de contacto significativo com a língua e de oportunidade para compreendê-la e utilizá-la em contextos que façam sentido. É precisamente aqui que o papel da escola e do professor ganha importância. Richards (2006) observa que o ensino comunicativo procura criar oportunidades para que os alunos utilizem a língua com propósitos reais, desenvolvendo não apenas precisão, mas também fluência e capacidade de interacção.
No contexto angolano, isso significa repensar uma aula em que o professor ocupa quase todo o tempo a explicar e o aluno passa a maior parte da aula ouvir, copiar e responder mecanicamente. Isso não significa abandonar o ensino da gramática. A gramática continua a ser fundamental para a comunicação clara e estruturada. O problema está em transformá-la no objectivo final da aprendizagem.
O aluno deve aprender o Present Simple, por exemplo, mas também deve ser capaz de falar sobre a sua rotina; deve aprender o vocabulário relacionado com a sua rotina; deve aprender o vocabulário relacionado com profissões, mas também conseguir explicar o que pretende fazer profissionalmente; deve aprender estruturas pa- ra formular perguntas, sobretudo deve ter oportunidades para fazer perguntas e compreender respostas.
Por esta razão, melhorar o ensino de Inglês em Angola exige mais do que aumentar o número de anos de escolaridade ou acrescentar conteúdos aos programas. É necessário aproximar a sala de aula das situações comunicativas que os alunos encontrem fora dela. Debates, entrevistas, apresentações, dramatizações, músi- cas, filmes, podcasts e conversas orientadas podem transformar o Inglês de uma disciplina estruturada numa língua efetivamen- te utilizada.
O desafio, portanto, não está apenas em ensinar mais Inglês, mas em ensinar de uma maneira que permita aos alunos fazer mais com o Inglês que aprendem. A verdadeira competência linguís- tica não se revela apenas quando o estudante consegue identificar um tempo verbal ou completar correctamente um exercício.
Revela-se quando consegue com- preender, responder, perguntar, explicar, argumentar e interagir. No contexto escolar angolano, a passagem do conhecimento linguístico para a competência co- municativa deve, por isso, tornar-se uma prioridade. Afinal, o sucesso do ensino de uma língua estrangeira não pode ser medido apenas pela quantidade de conteúdos ensinados, mas pela capacidade que o aluno desenvolve para utilizar esses conhecimentos em situações reais. Mais do que for- mar alunos que saibam falar so- bre Inglês, a escola deve formar alunos capazes de usar o inglês para falar.
POR: CAPELA JOÃO NDUNGIDI





