OPaís
Ouça Rádio+
Dom, 8 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Cor do pecado: uma reflexão à música da TRX

Jornal OPaís por Jornal OPaís
7 de Agosto, 2025
Em Opinião

No imaginário colectivo, o pecado sempre teve cor. Desde os textos religiosos às expressões populares, o mal é frequentemente pintado em preto, enquanto o bem é associado ao branco.

Poderão também interessar-lhe...

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Quando o amor mata – Vidas de Ninguém (XIV)

Agro-turismo: A aposta estratégica para reverter a economia

08 de Março – celebra-se a força e a determinação da mulher no mundo

Mas essa simbologia simplista carrega uma história perigosa: a de associar cor à moral. É aí que o tema “cor do pecado” se revela provocador, crítico e necessário.

A música da TRX Music levanta, de forma poética e directa, a seguinte pergunta: “Será que o problema é do sangue ou é da cor do pecado?” Aqui, o “pecado” não é um acto cometido, é uma condição imposta, uma etiqueta colada sobre aqueles que nasceram com a pele negra, numa sociedade estruturada para privilegiar uns e condenar outros.

Na música, o pecado não está em roubar, mentir ou matar. O pecado é nascer negro, pobre, trabalhador, esquecido. É viver com salários atrasados, é ser invisível para o Estado, é ser humilhado por chefes, subvalorizado mesmo quando se esforça.

“Sou professor angolano, é há bito ter o salário atrasado, Eu ando no país errado…” Essas frases revelam o peso do “pecado” moderno: viver na margem, sem oportunidades, sem respeito, sendo culpado por um sistema do qual se é vítima. A estrofe mais directa é a que diz: “Eu sei que sou bem melhor qualificado, mas ele é branco, eu tenho a cor do pecado.”

Aqui, o “pecado” é ser negro não porque a pele negra seja errada, mas porque o olhar racista da sociedade assim a considera. É a denúncia crua do racismo estrutural, onde mérito, esforço e inteligência valem menos que a cor da pele.

É o eco de uma história colonial que ainda molda as relações de poder, acesso e dignidade. Paradoxalmente, o pecado na música também é força, coragem e resistência, pecar, neste contexto, é viver contra a corrente, é continuar a amar mesmo quando se é esmagado pelo sistema, é sobreviver com dignidade onde só há miséria, é sonhar onde só se planta medo.

“Caio e levanto sempre…” A repetição desta imagem mostra que, mesmo que a “cor do pecado” seja uma marca imposta, ela não define o valor do ser humano.

O refrão canta: “Vamos fazer do céu a terra, cuidando o que temos, Deus está a chegar…” Isso indica que a redenção não virá apenas de fora, mas será construída aqui, pelos próprios marginalizados. A espiritualidade é um alento, mas também um chamado à acção.

Essa fala eleva a música a uma dimensão escatológica, onde o sofrimento actual é parte de um processo maior de transformação mas não passiva. É a fé que move, não que paralisa. “Cor do pecado” é também um diagnóstico cultural.

Vivemos numa sociedade onde a herança da escravidão, do colonialismo e da desigualdade se camufla nas estruturas, nos empregos, na educação, na forma como a polícia trata uns e não outros. Ser negro e pobre, muitas vezes, é ser punido sem julgamento, é nascer culpado. É andar sempre em prova, é ser condenado antes mesmo de errar.

Por: REIS ADRIANO SIMÃO

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Quando o amor mata – Vidas de Ninguém (XIV)

por Domingos Bento
6 de Março, 2026

Pés descalços, blusa rasgada, com o rosto banhado de lágrimas, tão logo chegou às pressas, a pequena Bibi atirou-se ao...

Ler maisDetails

Agro-turismo: A aposta estratégica para reverter a economia

por Jornal OPaís
6 de Março, 2026

O agroturismo emerge como uma estratégia transformadora para Angola, integrando agricultura sustentável e turismo de alta qualidade para diversificar a...

Ler maisDetails

08 de Março – celebra-se a força e a determinação da mulher no mundo

por Jornal OPaís
6 de Março, 2026

Uma data que ultrapassa fronteiras, culturas e línguas, dedicada a celebrar a força, a coragem e a resiliência das mulheres...

Ler maisDetails

Entre a norma e a fala: o português que a escola (ainda) não entende

por Jornal OPaís
6 de Março, 2026

Na sala de aula vivem dois portugueses: o da norma e o da fala. O primeiro usa terno, fala com...

Ler maisDetails

PR manifesta pesar pelas vítimas do acidente que matou 20 pessoas no Cuanza-Sul

7 de Março, 2026

Acidente de viação mata 20 pessoas no Cuanza Sul faz 20

7 de Março, 2026

Mais de 500 profissionais de saúde concluem pós-graduação no exterior

7 de Março, 2026

Agenda Política do MPLA será apresentada hoje em Luanda e em Icolo e Bengo

7 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.