Nas chamadas escolas de classe A, onde os sinais exteriores de luxo escondem, muitas vezes, profundas fragilidades pedagógicas, o professor é frequentemente reduzido à condição de presta dor de serviço.
Neste contexto, o aluno — ou melhor, o encarrega do de educação que paga mensalidades elevadas — é tratado como cliente e, como em qualquer relação de consumo, impõe-se a lógica: “o cliente tem sempre razão”.
Essa lógica transforma a educação num produto e subverte os papéis essenciais do processo de ensino-aprendizagem. O professor, que deveria ser a autoridade pedagógica, vê-se coagido a ceder às vontades dos pais e dos alunos, mesmo quando estas contrariam os princípios pedagógicos e a ética profissional. Avaliações são alteradas, exigências metodológicas são suavizadas e o rigor disciplinar é sacrificado em nome da “satisfação do cliente”.
É comum ouvir, nos corredores dessas instituições, frases como: “Se continuar a dar notas baixas, os pais vão tirar o aluno da escola” ou “Não se pode reprovar aquele menino, o pai dele é influente”.
O resultado é a fragilização do professor, que trabalha sob constante pressão, com receio de sanções, despedimentos ou mesmo difamações perante os pais. O saber cede lugar ao agrado, e a autoridade do professor fica refém do poder económico dos encarregados.
Por detrás dos muros pintados e das instalações climatizadas, muitas escolas de classe A escondem uma realidade perversa: a da mercantilização do ensino. Ao colocarem o lucro acima da missão educativa, essas instituições ali mentam um modelo que valoriza o “cliente satisfeito” e não o “aluno formado”. Neste ambiente, o professor transforma-se num funcionário submisso, sem voz, sem autonomia e sem espaço para o exercício crítico da sua função.
Chega-se ao ponto em que o aluno rebaixa o professor, convencido de que tem o direito de o fazer, apenas por ser “filho de quem paga”. O professor, por seu lado, com receio de perder o seu sustento, vê-se impossibilitado de aplicar qualquer medida disciplinar que contrarie o capricho do aluno ou desagrade aos pais. A autoridade pedagógica é anulada pela chantagem económica.
A escola não pode ser gerida como um supermercado, onde se vende um certificado ao gosto do freguês. O conhecimento exige rigor, responsabilidade e, acima de tudo, respeito por quem o transmite. Quando a educação é moldada por critérios comerciais, perde-se o sentido maior da escola: formar cidadãos conscientes, críticos e preparados para transformar o mundo — e não apenas agradar os desejos de quem pode pagar.
POR: LUDY JÚNIOR DIAS









