Saudações cordiais, digníssimo coordenador do jornal OPAÍS. No meu entender, tenho constatado uma má atitude por parte de quem solicita o empréstimo online. Mas afinal, o que tem acontecido com os aplicativos de empréstimo? Lembro-me como se fosse hoje; aqui na banda havia uma “moda” de escrever nas t-shirts a seguinte legenda: “Angola não é para amador”. Era um aviso, mas que foi, seguramente, ignorado.
É com este slogan que venho analisando, de forma descontraída e séria ao mesmo tempo, sobre o novo fenómeno ou moda que está a bater. Do nada, chegaram os “aplicativos de empréstimo”, uma forma de dar “juro modernizado”, ou digitalizado, se quisermos tratar.
Confesso que antes não acreditava nesse mambo, que era só se cadastrar, pedir logo a massa e já está. Até constatar que alguns amigos meus, afinal, já andam nisso há bwé. A iniciativa até é louvável para quem realmente honra com a sua palavra e no prazo estabelecido. E nesta senda, coloca-se também em causa a actuação dos mesmos no sector financeiro: será que estão autorizados a operar nestes moldes? Porém, os relatos são arrepiantes. Quando o assunto é devolver, é aí onde o verdadeiro calvário começa.
Amigos, sem exageros, há quem deve três ou mais aplicativos, como o tio Martins fazia: pedia kilapi de capuca em quatro casas diferentes e no final não pagava ninguém. Já viram isso? Outro dia, ouvi, sem querer, que alguém comprou 12 chipes, usou e depois os queimou, e com os bilhetes de identidade dos seus amigos, sem eles saberem.
Mas até que ponto vai a “criatividade do gênio angolano’’? E mais: outro, sem remorso, quando lhe ligam para devolver o kumbo, diz que o senhor que solicitou o empréstimo já é falecido. Modéstia à parte, tenho pouco conhecimento sobre esses aplicativos.
Não sabia que dava para “fugir” da dívida. No entanto, a verdade é que esses aplicativos chegaram para ajudar, sobretudo num momento de emergência por parte do solicitante. Mas o que se vê, muitas vezes, são pessoas de má fé a tentarem, a todo custo, burlar o sistema, pela forma como é cobrado. Uns até dizem que não têm maneira de cobrar ou ligar. Mas como assim, se você é que tem dado baile na hora de pagar?
POR: Elácio Domingos Luanda, Samba









