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OPAÍS

Carta do leitor: Devíamos ter pena de morte?

Jornal Opaispor Jornal Opais
25 de Março, 2025
Em Opinião

Bom ano, caros compatriotas do jornal oPAÍs! Escrevo sobre este assunto, que para muitos ainda é um bicho-de- sete-cabeças por conta de ter registado, nos últimos dias, algumas pessoas a defenderem a necessidade de termos, no nosso país, a pena de morte.

A defesa dessas pessoas, da necessidade de termos esta pena, surge por conta de um vídeo que foi posto a circular nas redes sociais, onde aparece uma senhora a espancar brutalmente uma criança, penso que na casa de banho.

A princípio, algumas pessoas acreditavam que o facto tenha acontecido no nosso país, outras em moçambique, mas depois ficamos a saber que aconteceu na Zâmbia. A senhora, de 35 anos, foi condenada a 40 anos de prisão, por ter ficado provado a sua agressão contra a menor de 4 anos. As mulheres angolanas ficaram revoltadas e muitas defendiam a pena de morte. 40 anos de prisão é pouco, para muitos, pela tamanha crueldade que a senhora fez.

é assim que me coloquei a pensar: e devemos mesmo ter pena de morte? o questionamento também é oportuno, uma vez que, recentemente, a república democrática do congo, aqui bem perto de Angola, foi notícia de que 170 pessoas que tinham sido condenadas à pena de morte serão executadas.

A pergunta é: estas 170 pessoas não apresentaram sinais de mudanças ou de que podem mudar? Às vezes queremos julgar e condenar as pessoas sem saber se lá no fundo há realmente um ser disposto a mudar. Não podemos pensar que um determinado indivíduo merece a morte ou que nós merecemos viver.

Quem determina quem vive e morre é deus. Existem outras formas rígidas de repreender ou condenar os nossos irmãos, quenãosejaamorte.Porexemplo,eutenho defendido o aumento da pena de violação em Angola, principalmente quando a vítima é menor de idade.

Mas ainda, tenho defendido uma pena que colocaria os violadores a pensar duas vezes antes de violarem: a de castração química. istoé,ocidadãonãosercondenadoàmorte, mas vai ver o seu principal instrumento sexual inativo definitivamente. é claro que isto vai “matá-lo” psicologicamente, mas ali poderemos ter um cidadão que venha a se transformar num activista social contra a violação sexual, uma vez que isso pode levá-lo a reflectir profundamente. deveríamos ter pena de morte? Não.

Devemos é aumentar as penas para certos crimes. Eu já ouvi, só não lembro qual o país, que há aqueles que são condenados a 100, 200 e até mesmo 600 anos de prisão. Praticamente sabemos que nenhum ser humano chega a 200 anos de vida, o que quer dizer que este condenado vai, literalmente, “apodrecer” na cadeia, mas, pelo menos, não foi condenado exactamente à morte. Então, um violador de menores devia ser, no mínimo, condenado a 60 anos de prisão. mas no nosso país nem chega a 15 anos, infelizmente.

POR: Paulo Kilomesso, cacuaco

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